Prefeito quer construir outro cemitério, o quarto da cidade
Sid SauerPoucas mortesO estudante Paulo César, na porta do cemitério atual, poucas visitas e transferência de sepulturasO prefeito Luiz Fernando Vecchi (PDT) promete agilizar a construção de um novo - e decente - cemitério para Altamira do Paraná. Será o quarto da história do município, que tem apenas 15 anos. A área para a obra já foi aprovada pela Câmara de Vereadores e adquirida por R$ 7 mil. Fica a cerca de um quilômetro da cidade, o que é considerado longe pelos moradores, mas há a vantagem do terreno ser plano, coisa rara na cidade. Segundo a administração, a recomendação para não usar o cemitério construído no ano passado veio da Vigilância Sanitária.
O problema seria uma mina de água existente nas proximidades, que poderia ser contaminada. Além disso, concluiu-se que a obra foi construída em local impróprio (de novo). No local em que foi feito, o cemitério impediria a cidade de crescer, explica o vice-prefeito Jalzemo Duarte (PMDB).
E graças à topografia, não há maiores opções para expansão. Tudo isso sem contar a chiadeira dos vizinhos do Conjunto Ivo Pegorer. Teve até quem vendesse a casa para não ficar morando na divisa com os mortos e correndo o risco de ver fantasmas.
O plano agora é urbanizar o cemitério sem defunto, preparando a área para receber um conjunto habitacional. Por ficar trocando as sepulturas de um cemitério para o outro, os moradores não parecem se importar muito.
Desde que seja para melhorar, podem mudar o túmulo de minha mulher de novo, diz um aposentado que não quis se identificar. Ele ficou viúvo em 1981, mas o corpo de sua mulher teve que ser transferido para o atual cemitério em 1992. Lá está muito feio, reconhece o aposentado.
A situação só não é pior porque os 7 mil habitantes do município raramente produzem mais do que cinco mortes por mês. Mesmo assim, a cidade tem duas funerárias, mas uma vive fechada. Na porta, apenas o telefone do plantão em Mamborê, a mais de 100 quilômetros de distância.
No cemitério, as visitas também são poucas. Às vezes aparece alguém, conta o estudante Paulo César de Jesus, de 15 anos, que mora numa casa ao lado. De vez em quando eu também vou no túmulo do meu pai.





