Prefeito processa promotores de show
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terça-feira, 02 de dezembro de 1997
Sandra Mara Mendes Especial para a Folha 
A prefeitura de Dois Vizinhos (Sudoeste do Estado) pediu a abertura de inquérito policial e entrou na Justiça tentando obter uma medida liminar para apreensão de dois veículos usados pelos empresários Mônica Meira e Marcos de Oliveira da empresa FS&M Publicidade, de São Paulo (SP). A FS&M se comprometeu a promover os shows da Banda Cheiro de Amor e Raça Negra na noite de sábado, na comemoração dos 36 anos do município.
A Banda Cheiro de Amor não se apresentou. A assessoria jurídica de Dois Vizinhos pediu enquadramento da empresa como estelionatária, porque 15 mil ingressos haviam sido vendidos antecipadamente. Conforme o prefeito Jaime Guzzo (PMDB), o show do Raça Negra aconteceu porque ele preencheu dois cheques do município, um de R$ 20 mil para o grupo e outro R$ 6,5 mil para o som. Guzzo disse que Mônica Meira passou cheques sem fundos.
Paguei para evitar um quebra-quebra, disse Guzzo. O show foi assistido por cerca de dez mil pessoas. Ela devia R$ 19,6 mil mais transporte (avião, caminhão de equipamentos e ônibus), o que somaria R$ 30 mil de dívida com o grupo. Na noite de sexta-feira a banda descobriu que o cheque não tinha fundos e todo o equipamento já tinha saído, afirma o prefeito.
A empresa promotora também se queixou ao delegado Fernando Furlanetto, no dia do show, que a prefeitura abusou do poder, tomando todas as bilheterias com força policial. A sócia da FS&M também denunciou que, na madrugada de sábado, ela e Marco Antônio de Oliveira foram coagidos a assinar documentos de forma abusiva e irregular.
O prefeito Guzzo explicou que as bilheterias foram confiscadas, porque o dinheiro dos ingressos vendidos estava sendo colocado nos bolsos dos vendedores e que Mônica não estava pagando as dívidas dos contratos com as bandas. Segundo Guzzo, a prefeitura apenas cedeu o Parque de Exposições para os shows, pagou panfletos e deixou um veículo para a divulgação. A FS&M seria responsável por todas as despesas e contratação dos shows.
A empresária Mônica Meira prestou depoimento na delegacia de Dois Vizinhos e disse que distribuiu cerca de 12 mil ingressos a agenciadores da região e ficou com cerca de 15 mil para serem vendidos no dia do show. Segundo Mônica, ela havia recebido somente o valor de 200 ingressos, que somam dois mil reais. O restante, R$ 26,5 mil, pagou com recursos próprios.
Mônica Meira afirmou ao delegado Furlanetto, que as bandas só viriam se o restante do show fosse pago. Ela declarou que se propôs a ir aos veículos de comunicação avisar do cancelamento, mas foi impedida pelo prefeito Jaime Guzzo e seus assessores.


