A promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Maria Lúcia Reichenbach, afirma que aguardará somente até amanhã a realização de uma reunião com o prefeito Antonio Belinati (sem partido), com o objetivo de discutirem sobre a elaboração e execução de um projeto de recuperação ambiental para o aterro do lago Igapó 2, no Jardim Maringá (área central da cidade). Caso a assessoria da prefeitura não viabilize a reunião, a promotora ressalta que notificará oficialmente o prefeito, na próxima segunda-feira, ‘‘determinando data e horário’’ para o comparecimento a uma audiência no Fórum.
Esta decisão foi anunciada pela promotora na tarde de ontem, quando recebeu em seu gabinete no Fórum o relatório técnico elaborado por engenheiros do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre as possibilidades de revitalização e ocupação do aterro, uma área de aproximadamente 80 mil metros quadrados e avaliada em cerca de R$ 3 milhões.
O relatório do IAP confirma o que um parecer técnico de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) já havia antecipado anteontem: o aterro está dentro do fundo de vale do Ribeirão Cambé e, portanto, de acordo com o Plano Diretor e outras leis municipais, faz parte de uma área de preservação ambiental permanente.
O estudo entregue pelo chefe regional do IAP, Nelson Santos Pereira, foi realizado nos últimos 40 dias pelo engenheiro agrônomo e doutor em ciências ambientais, João Batista Campos, e pela engenheira florestal, Raquel Fila. ‘‘O Igapó - aí incluído o aterro - faz parte do importante corredor ecológico do Ribeirão Cambé, que passa pelo Parque Arthur Thomas e vai até o Rio Tibagi. Ele sofreu um impacto negativo com o aterramento, e poderia sofrer outros com a construção de grandes obras civis’’, comenta João Campos.
Segundo o engenheiro do IAP, com as tecnologias atualmente disponíveis é totalmente possível e reflorestamento daquela área. ‘‘Mas é o poder público municipal quem tem autoridade para definir o que fazer lá. Nós estamos dando subsídios para a ampliação deste debate e para que se encontre o melhor caminho, o melhor projeto no que diz respeito ao meio ambiente e do aproveitamento daquele espaço pela população.’
O pedido dos estudos ao IAP e UEL foi feito pela Promotoria depois que a Câmara aprovou o projeto de lei do Executivo abrindo a possibilidade de doação da área do aterro à iniciativa privada para a construção de um centro de lazer e turismo. O secretário municipal de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, diz que não recebeu ainda o ofício da promotora solicitando a reunião, mas que não se negará a marcá-la, de acordo com as possibilidades da agenda do prefeito Belinati. Ele afirma que recebeu o relatório do IAP, também na tarde de ontem, e que considera que o documento ‘‘em nenhum momento diz que a construção de um centro de lazer no aterro contrariaria a legislação ambiental, porque depois do aterramento aquela área deixou de ser um fundo de vale’’.

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