Marcos NegriniRevoltadosMoradores que ocuparam 168 casas em Sarandi acusam o prefeito de pressionar por desocupação de casasMoradores do Jardim Social, em Sarandi (10 quilômetros de Maringá), estão revoltados com o prefeito Júlio Bifon (PPB). Eles afirmam que o prefeito está pressionando as famílias a deixar as casas, que foram ocupadas em agosto do ano passado. No último domingo, Bifon esteve em algumas casas e pediu às famílias que não estão com a documentação regulamentada na Cohapar para desocupar os imóveis.
O bairro tem 168 casas - todas foram invadidas quando estavam inacabadas. As unidades estavam sendo construídas pela Cohapar através do programa Casa da Família. Elas seriam destinadas exclusivamente aos moradores da Favela Mutirão.
Nos últimos seis meses, representantes da Associação dos Invasores, da Prefeitura de Sarandi e da Cohapar vêm discutindo uma solução para o problema. Os invasores não concordaram com o sorteio das casas e estavam providenciando documentação para regularizar a situação na Cohapar. Eles seriam os beneficiados pelo programa caso a Cohapar aprovasse o novo cadastramento das famílias.
De acordo com a presidente da Associação dos Invasores, Eva Batalha, a maioria dos moradores apresentou a documentação exigida pela Cohapar. Há cerca de um mês, entretanto, a empresa de habitação passou a exigir dos invasores a folha corrida do Fórum e o atestado de boa conduta.
Sem estes documentos, a Cohapar está desclassificando as famílias. ‘‘Estes documentos não foram exigidos na primeira vez e a Cohapar só está fazendo isso porque o prefeito pediu’’, reclama Eva.
As novas exigências dificultam a regulamentação dos invasores, já que boa parte deles têm passagem pela polícia. ‘‘A maioria dos invasores não tem nada na folha corrida do Fórum, mas o delegado sempre encontra alguma coisa para não fornecer atestado de boa conduta’’, alega Eva.
A dona de casa Maria de Lurdes Carvalho, 36 anos, disse que providenciou toda a documentação solicitada inicialmente e que agora teve o cadastro reprovado porque o marido não consegue o atestado de boa conduta. ‘‘Não consta nada no Fórum, mas o nome dele está na delegacia porque ele comprou uma bicicleta roubada há mais de dois anos’’, afirma. Ela também foi ‘visitada’ pelo prefeito.
O prefeito conversou com 26 famílias que não tiveram o cadastro aprovado pela Cohapar e propôs que esses invasores voltem à favela Mutirão. Essas casas seriam destinadas a famílias de favelados com cadastros aprovados, mas que ainda vivem na favela.
‘‘Propomos esta troca porque a prefeitura precisa regularizar o convênio com a Cohapar para conseguir novas parcerias que possibilitem a construção de novas casas’’, disse. Segundo o prefeito, a prefeitura não consegue firmar novo convênio enquanto as casas do Jardim Social continuarem inacabadas.
‘‘Tentei todo tipo de acordo, inclusive o de reembolsar os moradores que fizeram melhorias nas casas. Também cheguei a propor terrenos para as famílias que têm condição de construir’’, explicou.
Ele negou que tenha pedido para incluir na lista de documentos exigidos pela Cohapar a folha corrida do Fórum e o atestado de boa conduta. ‘‘Esta é uma exigência da Cohapar e não minha’’. Bifon pretende pedir a reintegração de posse da casa ocupada por Eva Batalha.

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