Prefeito pede cadeia para mulher que garimpa lixo
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quinta-feira, 24 de novembro de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Lupionópolis O prefeito de Lupionópolis (105 km ao norte de Londrina), José Carlos Tibério, sugeriu em ofício de defesa encaminhado ao escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), de Londrina, que uma mulher de 35 anos que garimpa lixo seja recolhida em uma penitenciária do Estado. Sueli de Barros tem 10 filhos e mora no bairro mais pobre da cidade. Alguns filhos trabalham como pedreiro ou servente, mas a maioria, assim como o pai e a mãe, passa o dia inteiro no aterro recolhendo lixo para vender.
No documento, o prefeito afirma que repassou o caso ''ao setor jurídico desta prefeitura municipal para que se proceda um processo jurídico e ela seja recolhida em alguma penitenciária''. Tibério vai além e inclui no ofício os filhos de Sueli, apesar de se equivocar na nomenclatura do sistema de internamento de adolescentes do Paraná. ''...e seus filhos a Febem''. Sueli confirma que depende do garimpo para viver e pagar suas contas, mas que não é criminosa por isso.
A prefeitura foi multada (R$ 4 mil) em outubro pelo IAP, que apontou irregularidades no aterro da cidade. No local, de acordo com o chefe-regional do IAP, Ney Paulo, existem lixo a céu aberto e proliferação de garimpeiros, entre elas Sueli de Barros e seus filhos. Na defesa apresentada ao IAP, o prefeito argumentou que a entrada de pessoas no aterro não está autorizada. A mulher teria sido advertida várias vezes. Ela também seria atendida por programas da Secretaria de Assistência Social do Município, como o bolsa escola e o bolsa família. A mulher, no entanto, conta somente com R$ 100,00 pagos pelo bolsa escola.
O advogado do município, Ismail Chukr, disse por telefone que não estava autorizado para falar sobre o caso. Ele adiantou, porém, que foi aberta uma sindicância interna para apurar a divulgação do documento. A Folha procurou o prefeito, mas foi informada que ele está viajando para Brasília e que volta somente amanhã. O chefe de gabinete também não foi encontrado para falar. A garimpeira teria sido orientada por amigos a procurar um advogado e entrar com um ação por danos morais contra o município.


