O prefeito de Almirante Tamandaré, Cezar Manfron (PPB), negou ontem envolvimento com o desmanche de carros e tráfico de drogas na delegacia local. Apesar de aparecer numa fita gravada solicitando um ‘‘acerto’’ para a soltura de uma pessoa que teria lhe pedido auxílio, o prefeito não acredita que isso possa provar conivência. ‘‘O que eu fiz foi ajudar um cidadão que foi preso porque estava vendendo gás sem autorização’’, disse o prefeito, ressaltando que é advogado e por isso é muito procurado.
Manfron diz que há ‘‘interesse político’’ em envolvê-lo no episódio e afirma que irá processar os meios de comunicação que ‘‘distorceram os fatos’’. Ontem à tarde, o prefeito recebeu uma ligação pelo celular, avisando que os telefones da prefeitura e de sua residência também haviam sido grampeados.
Na Promotoria de Investigações Criminais, o procurador Dartagnan Abilhoa negou a existência de qualquer escuta na prefeitura ou na casa do prefeito, porque seu envolvimento é apenas ‘‘terciário’’.
Em Almirante Tamandaré, a população está assustada com as denúncias envolvendo a polícia local. Moradores, que falam sob a condição de não serem identificados, afirmam que as atividadades irregulares eram conhecidas, mas de certa forma toleradas. Segundo o comerciante José Alves Ribeiro, há desconfiança de que a denúncia ‘‘não vai dar em nada’’.
A certeza da impunidade existe até entre os policiais envolvidos, segundo o procurador Abilhoa. Ele contou que um policial teria avisado a delegacia de Almirante Tamandaré sobre o grampo, ‘‘mas mesmo assim eles continuaram fazendo tudo o que faziam antes, negociando drogas e acobertando os roubos de carros’’.

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