O prefeito Nedson Micheleti (PT) não compareceu no Fórum, na manhã de ontem, para depor na ação que questiona a doação do terreno do Jóquei Club para a Pontifícia Universidade Católica (PUC), no final de 2001. Para dar prosseguimento ao processo, o juiz da 6 Vara Cível, Celso Seikiti Saito, aplicou a pena de confissão ao prefeito, que significa que ele não poderá dar sua versão dos fatos em outra ocasião e que concorda com o que já foi dito e documentado. Micheleti foi chamado para depor em outras duas ocasiões, mas apresentou justificativas para as ausências.
A ação popular foi movida pela enfermeira e ex-funcionária pública Regina Maria Amâncio, em outubro de 2001, contra o município e a Câmara de Vereadores. A enfermeira questiona o procedimento administrativo que levou ao ajuizamento da desapropriação da área do Jóquei. O terreno de 254 mil metros quadrados foi desapropriado por cerca de R$ 2,3 milhões. A prefeitura teve que ingressar na Justiça para conseguir a desapropriação porque associados do Jóquei Clube rejeitaram a proposta do município. Recentemente, a PUC inaugurou um prédio no local.
Outras três pessoas apontadas pela parte processante já foram ouvidas: o ex-chefe de gabinete Jorge Coimbra, o secretário de governo Adalberto Pereira e o secretário de Fazenda Rubens Menolli.
Segundo o advogado do prefeito, Edmilson Nogima, a presença de seu cliente era dispensável pois ele só repetiria tudo o que já foi dito. ''A ação é meramente documental e põe em questão a conduta do cidadão Nedson e não do prefeito'', alegou o advogado, lembrando que para dar a sentença final o juiz terá que analisar todas as provas arroladas no processo. O procurador do município, Celso Zamoner, acredita que a ausência de Micheleti não terá reflexo na figura do prefeito e na administração da cidade. A justificativa dada pelo advogado foi que Micheleti teria um compromisso inadiável.
Ontem pela manhã, o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), também esteve no Fórum para prestar depoimento. ''Eles disseram que a Câmara foi omissa, mas acredito que fomos muito criteriosos. Algumas exigências que colocamos foram a necessidade da PUC desenvolver projetos sociais e de atender e de disponibilizar vagas para alunos carentes'', declarou. O presidente alegou que se o terreno não fosse doado a universidade poderia se instalar em outra cidade. ''A PUC trouxe desenvolvimento para a Zona Oeste'', afirmou.
Após o depoimento do presidente da Câmara, Regina afirmou que o ex-chefe de gabinete teria tirado vantagem da situação, uma vez que possui sete lotes na região, que foram valorizados com a implantação da universidade.
Procurado pela Folha, Coimbra alegou que tudo foi dito em juízo. Segundo o depoimento que consta nos autos, o ex-secretário declarou que participou do processo de desapropriação da área não por interesse pessoal, mas por interesse da prefeitura. E que os terrenos que possuía juntamente com familiares na região foram adquiridos antes da intenção de desapropriar a área.
O juiz Saito marcou para o dia 2 de junho uma audiência com as testemunhas que ainda devem ser arroladas. A reportagem procurou o prefeito via assessoria de imprensa, mas ele não retornou a ligação. A Folha procurou o diretor
geral da PUC em Londrina, Miguel Horst Bompeixe, que afirmou que vai se pronunciar sobre o assunto hoje. (Colaborou Chiara Papali)

mockup