Prefeito explica dívidas aos vereadores
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sexta-feira, 13 de dezembro de 1996
Mauri Konig<bR> Sucursal de Foz do Iguaçu 
O prefeito de Foz do Iguaçu, Dobrandino Gustavo da Silva (PMDB), deixará uma dívida de aproximadamente R$ 30 milhões ao seu sucessor, Harry Daijó (PPB). A informação foi dada por Dobrandino anteontem à noite na Câmara de Vereadores, ao ser chamado para explicar a origem da crise financeira na administração. Os débitos, no entanto, podem chegar a R$ 35 milhões, segundo o Departamento de Arrecadação da prefeitura.
A Câmara criou uma Comissão Especial (CE) para interrogar Dobrandino. Ele admitiu que errou ao não apresentar à Câmara informações sobre as contas públicas e os balancetes de setembro e outubro, mas se justificou dizendo que havia excesso de pedidos. O prefeito disse que esperava uma arrecadação próxima a R$ 160 milhões este ano, mas o valor não chegou a R$ 100 milhões.
Dobrandino atribui a culpa da crise aos inadimplentes. Segundo ele, a prefeitura tem aproximadamente R$ 50 milhões para receber em impostos. O prefeito também disse que ainda hoje paga dívidas até da época do ex-prefeito Clóvis Cunha Viana (1974-1984). Eu estou pagando contas do (Álvaro) Neumann (1988-1992), Daijó vai herdar dívidas dessa administração e certamente vai deixar dívidas para o próximo prefeito, disse.
O vereador Adilson Rabelo (PPB), relator da CE, ficou insatisfeito com as respostas de Dobrandino. Ele não soube onde foram aplicados os recursos arrecadados entre 1993 e 1996, que pode ter chegado a quase R$ 400 milhões, acusa o vereador. O prefeito não soube nem responder quais foram as 10 principais obras que fez, conclui.
A prefeitura arrecada, em média, R$ 7 milhões por mês, mas gasta R$ 4,5 milhões com a folha de pagamento. Há três meses os salários estão sendo pagos com atraso. A prefeitura pagou ontem metade do salário dos funcionários concursados. Os demais (guardas municipais e cargos comissionados) terão de esperar mais alguns dias para receber.
Segundo Dobrandino, a outra metade do salário e o 13º só poderão ser pagos quando as contas da prefeitura estiverem equilibradas. Dobrandino viveu crise parecida no ano passado. Em dezembro de 1995 ele extinguiu o Fundo de Aposentadoria e Pensões (Fapen) e usou aproximadamente R$ 2,9 milhões para pagar os salários atrasados e o 13º dos servidores. Hoje, o rombo do Fapen está avaliado em aproximadamente R$ 20 milhões e os servidores cobram na Justiça a devolução do dinheiro.


