O prefeito de Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel), Renaldo Antunes (PSDB), foi denunciado ontem ao Ministério Público por corrupção. Ele é acusado de cobrar ‘‘comissão’’ na compra de bens públicos e no pagamento de credores, favorecimento ilícito, desvio de recursos repassados pelo Estado e outros crimes. Os denunciantes são Olímpio Marcelo Picoli, Agenor Lombardo e Sebastião Matos, presidentes municipais respectivamente do PFL, PSDB e PDT, e o vereador Cláudio Cotienschi. Antunes disse desconhecer o assunto.
A denúncia foi feita aos promotores Maurício Calache e Wilson Galheira, da Comarca de Cascavel, e será encaminhada agora ao Tribunal de Contas para apuração de irregularidades na aplicação de verbas destinadas ao Município, e à Câmara de Vereadores de Santa Tereza do Oeste, com pedido de instauração de comissão processante. Os denunciantes citam ainda que Renaldo Antunes foi flagrado em crime de contrabando, em junho, e está em liberdade provisória, enquanto o processo corre na Justiça Federal.
Além de documentos formais, os denunciantes apresentaram uma fita com gravação na qual Renaldo Antunes comenta propinas que teria recebido. A gravação foi feita por Olímpio Picoli no interior de um carro oficial, no qual ele e o prefeito viajavam. Picoli, que já foi secretário de Meio Ambiente, diz ter feito a gravação ‘‘porque há algum tempo havia indícios de que o patrimônio público estava sendo dilapidado’’. A seguir, ele e os demais denunciantes passaram a levantar documentos sobre os casos citados na fita e outros.
Na transcrição da fita, consta que Antunes teria recebido as seguintes propinas em compras: R$ 2 mil em uma retroescavadeira, R$ 500,00 em um carro Gol e R$ 850,00 em uma perua Kombi, e R$ 1 mil em um galpão pré-moldado. Estes bens foram adquiridos de empresas de Cascavel. Outra nota de compra de um motor, de R$ 7,9 mil, tem como emitente uma empresa que já estava desativada. Em outro trecho, Antunes comenta propina de R$ 1,5 mil de uma empresa de terraplanagem e R$ 800 mil de uma empresa de decorações.
Em outra parte da denúncia consta que em curto espaço de tempo deram entrada na prefeitura notas no valor total de R$ 32 mil referentes à compra de pneus, entre eles 50 para caminhões, enquanto a prefeitura só tem três caminhões. Também é citado o caso da liberação, em julho, pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) da Secretaria dos Transportes, dos primeiros R$ 50 mil (de um total de R$ 100 mil solicitados pelo prefeito), para obras de terraplanagem, que teriam sido executadas parcialmente ou não executadas.
Antunes está em licença do cargo desde o início do mês até amanhã. O prefeito em exercício é o presidente da Câmara, Antonio Marciniak (PTB). Antunes havia sido eleito vice-prefeito e assumiu o cargo no final de 97 com a morte do prefeito Ademir Renosto (PDT). Ele foi localizado pela Folha, por telefone, em Brasília. ‘‘Não tomei conhecimento do assunto. Isso é coisa que eles vinham revirando há muito tempo. O Olímpio Picoli, eu mandei embora da prefeitura por irregularidades’’, limitou-se a dizer Renaldo Antunes.

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