RONCADOR - A Prefeitura de Roncador (100 quilômetros ao sul de Campo Mourão) está vendendo máquinas e equipamentos para pagar dívidas com fornecedores. A denúncia está sendo feita pelo prefeito eleito Odilon Andreolli Gonçalves (PSDB) e pelo vereador reeleito Edson José Pietroski (PSDB). ‘‘Já orientamos os servidores para que não deixem sair nada da prefeitura’’, disse Gonçalves. Segundo ele, o Município já perdeu dois caminhões e dois tratores.
Segundo Pietroski, um dos caminhões vendidos - um Mercedes Benz 1519 - era o melhor caminhão da prefeitura. ‘‘Tudo foi vendido sem leilão’’, ressalta. O vereador disse que recebeu informações de que o Município tinha preparado um edital para venda de dois ônibus, um trator e dois carros pequenos. ‘‘O edital só não foi publicado porque a prefeitura não pagou o jornal’’, explica Pietroski. De acordo com ele, servidores já impediram que outros equipamentos fossem levados por credores.
Na sexta-feira, um fornecedor queria levar um computador em troca de uma dívida de mais de um ano pela compra de pneus e o caso chegou a parar na delegacia. ‘‘O empresário avisou que se o novo prefeito não lhe pagar em janeiro, volta para buscar o computador ou qualquer outro maquinário da prefeitura’’, contou o vereador. Em meio às denúncias de venda de equipamentos, os servidores do município passaram ontem em protesto na frente da prefeitura.
‘‘Motim’’ O movimento dos funcionários é contra o atraso no pagamento dos servidores, que completou três meses. A Câmara também não recebe os repasses e os vereadores estão sem salários desde abril. O prefeito Joaquim Rodrigues da Silva (PPB) disse à Folha, por telefone, que vem pagando os funcionários na medida do possível. ‘‘Em alguns setores não existe atraso’’, ressaltou. Segundo ele, a arrecadação caiu e FPM está bloqueado por problemas entre 1990 e 1991.
Silva acusou ‘‘cabos eleitorais’’ de Gonçalves de estarem organizando o ‘‘motim’’ em frente à prefeitura. Ele negou que esteja vendendo maquinários para pagar dívidas, mas não descartou a possibilidade. ‘‘Tenho que administrar a prefeitura do jeito que achar correto’’, ressalta. ‘‘Se for preciso vender, vamos vender’’. Silva explicou ainda que o Mercedes 1519 teve que ser vendido porque foi destruído num acidente. ‘‘Publicamos edital anunciando a venda’’, frisou.
Segurança O prefeito anunciou ontem que vai manter fechada a escola municipal que funciona ao lado da prefeitura enquanto durar o protesto dos servidores. Segundo ele, o fechamento é por questão de segurança. ‘‘Não posso deixar crianças estudando onde existem pessoas armadas’’. A escola tem mais de 700 alunos. Silva chama o movimento de ‘‘motim’’.
Segundo ele, o movimento não é de servidores, mas sim de cabos eleitorais do prefeito eleito e que parte deles anda com ‘‘armas pesadas’’. ‘‘O clima está pesado’’, admite Silva. Ele contou que também vai retirar sua família da cidade. ‘‘Tenhos filhos pequenos e temo pela segurança deles’’. O prefeito disse que vai comunicar a Casa Civil e pedir reforço ao Batalhão da Polícia Militar.

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