Prefeito diz que só deu carona
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Os indigentes deixados em Londrina na segunda-feira de manhã por uma perua da prefeitura de Ribeirão do Pinhal (Norte Pioneiro) não foram despejados; na verdade, pediram carona para fazer a viagem. A afirmação é do prefeito de Ribeirão do Pinhal, Benedito Antonio da Silveira Pinto (PDT). Como a Kombi estava quase vazia naquele dia, a assistente social concordou em atender ao pedido deles, disse o prefeito, ontem, em entrevista à Folha.
Diariamente, afirma Benedito Pinto, a prefeitura de Ribeirão do Pinhal leva para Londrina ou Cornélio Procópio cerca de 10 pessoas. Segundo o prefeito, elas são levadas para atendimento médico e, depois, voltam para a cidade de origem. A Kombi espera e os traz de volta, diz Pinto. O tratamento é feito através de um consórcio de saúde que a prefeitura afirma manter em conjunto com as prefeituras da região. Ribeirão do Pinhal tem cerca de 15 mil habitantes na zona rural e urbana e apenas um hospital.
Benedito Pinto confirma que um grupo de pessoas foi levado para Londrina pelo veículo oficial da prefeitura, na segunda-feira, Mas questiona o número da placa denunciada pelas testemunhas. A prefeitura tem seis kombis e nenhuma delas tem a placa AAF 8439. Ainda ontem, o prefeito recebeu ofício da Secretaria de Ação Social de Londrina, Marisa Goettel do Nascimento, denunciando a situação.
A prefeitura de Ribeirão do Pinhal tem só uma assistente social que presta serviço duas vezes por semana. Não tenho como confirmar se as pessoas que pediram carona são as mesmas da denúncia de despejo, afirma Pinto. Ele garante, no entanto, que a administração prioriza as questões sociais e os indigentes que chegam à cidade são atendidos na medida do possível. Garantiu que a prefeitura não precisa usar deste tipo de expediente.
A afirmação, no entanto, contraria entrevista publicada terça-feira na Folha. No dia anterior, Benedito Pinto afirmou que a prefeitura dá passagens aos indigentes. Eu já tenho o meu problema social para resolver e não dá para resolver também o dos outros, disse ele, referindo-se ao envio de pessoas para Londrina.


