Sid Sauer
De Campo Mourão
O prefeito de Campina da Lagoa (100 km a sudoeste de Campo Mourão) e presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde (Ciscomcam), Joaquim Antônio de Lima (PPS), admite que não vê solução para diminuir a fila em busca de atendimento no órgão. ‘‘Esse problema, sou sincero em dizer, não tem solução’’, ressaltou. ‘‘O consórcio faz o atendimento em massa dos 25 municípios da região e sempre terá alguém que será atendido por último’’.
Na semana passada, a secretária de Saúde de Campo Mourão, Rosemeire do Carmo Martelo, revelou que o município poderá deixar o Ciscomcam. Segundo ela, existem muitas reclamações de pacientes contra o consórcio. O principal deles é a demora no atendimento, que pode passar de um mês, dependendo da especialidade médica. Campo Mourão é o principal usuário do consórcio e quem paga a maior mensalidade: R$ 10 mil.
‘‘A criação do consórcio foi uma grande idéia para os municípios’’, diz Lima. ‘‘Fui prefeito entre 1983 e 1988 e, naquela época, tínhamos que mandar um ônibus a cada 15 dia, cheio de pacientes, para Curitiba. Até pensão para essas pessoas as prefeituras tinham que pagar’’. Lima diz que não recebeu nada de oficial sobre uma eventual saída de Campo Mourão. Ele afirma também que queria saber quais são as reclamações que existem contra o consórcio.
De acordo com o presidente do Ciscomcam, o consórcio atende 12 mil pessoas por mês. ‘‘É impossível atender todos sem uma reclamação ou outra’’, considera. ‘‘Se o problema for a fila, digo já que isso não tem solução. Se alguém tiver a solução para isso, que nos avise que nós implantaremos na hora’’, desafia Lima. O prefeito, que também é médico, disse que cobra ‘‘bom senso’’ para que os casos mais graves sejam atendidos na frente.
Criado em 1993, o Ciscomcam funciona com o repasse das prefeituras da região. As menores pagam em torno de R$ 600,00 por mês. Campina da Lagoa, com 18 mil habitantes, paga cerca de R$ 1,8 mil. O valor varia de acordo com o número de atendimentos feitos a cada cidade. Algumas prefeituras, no entanto, estão inadimplentes, e já somam uma dívida de R$ 40 mil com o consórcio. Lima não diz o nome dos devedores.
O Ciscomcam conta com um dispositivo que prevê o corte do atendimento para os municípios que atrasarem mais de três mensalidades. Graças aos atrasos e ao corte de insumos que eram dados pelo governo do Estado, um saldo de R$ 100 mil que existia no início do ano, acabou.

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