Prefeito diz que delegado faz terrorismo
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Sandra Mara Mendes Especial para a Folha 
O prefeito de Barracão (90 km a oeste de Francisco Beltrão), Juarez Heirichs (PFL), negou as acusações feitas pelo delegado Sebastião Gaspar, que investigava denúncias de fraudes na 64ª Ciretran. Anteontem, Gaspar revelou que estava sendo ameaçado de morte e pediu transferência. Um delegado especial foi designado para prosseguir as investigações.
O esquema de fraudes na emissão de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na Ciretran de Barracão foi divulgado na semana passada, com a prisão de 11 pessoas acusadas de envolvimento. Segundo depoimento dos envolvidos, foram emitidas 1.311 carteiras frias.
O alvará de soltura dos envolvidos foi concedido a pedido do desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, Moacir Guimarães. Segundo o delegado, alguns prefeitos da região foram a Curitiba pedir para soltar os acusados. A soltura dos presos foi acompanhada pelo prefeito de Barracão, Juarez Heirichs (PFL), e secretários municipais. Gaspar também denunciou que o prefeito retirou todos os funcionários municipais que prestavam serviço na Delegacia.
O prefeito acusa o delegado de fazer terrorismo no município, ao divulgar que haviam prefeitos envolvidos e que mais pessoas poderiam ser arroladas no processo. Sou contra as arbitrariedades que estavam ocorrendo em Barracão, salientou.
Eu sempre fui a favor que fosse colocado às claras as sujeiras da Ciretran, acrescentou o prefeito. Heirichs disse que em abril, quando foram detectados indícios de fraude no órgão, ele pediu ao Detran do Paraná a realização de sindicância. Todos os funcionários municipais suspeitos no início das investigações foram afastados dos cargos e colocados à disposição da justiça, ressaltou.
Heirichs também negou que prefeitos tenham pedido a soltura dos presos. O prefeito disse que os servidores municipais estavam emprestados para a delegacia desde dezembro a pedido da Secretaria de Segurança. Eles voltaram para a prefeitura porque chegaram os novos agentes da delegacia, explicou.
O prefeito também acusou o delegado de denegrir a imagem de Barracão, colocando na imprensa que toda a população estava envolvida no esquema de emissão de carteiras falsas de motorista. A Ciretran atendia a oito municípios e só Barracão é o vilão. O que defendo é a minha cidade, já que sou prefeito.
O delegado Douglas Possebon e Freitas foi designado interinamente para a Delegacia de Barracão. Para presidir as investigações de fraudes na Ciretran a Polícia Civil enviou um delegado especial do COPE (Centro de Operações Especiais da Polícia), Carlos Reis.
O esquema de falsificações de CNHs dispunha inclusive de contratos de locação de imóveis para comprovar residência em Barracão. Com a aprovação da documentação e o aval da banca examinadora e dos funcionários do órgão, o motorista conseguia a habilitação por R$ 450,00.


