Paulo Pegoraro
A Prefeitura de Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel) tornou pública ontem uma denúncia sobre tentativa de extorsão e ameaça de morte sofridas pelo prefeito Aríston Limberger (PMDB) e o secretário municipal de Saúde Ivan Morozov. A ameaça e a tentativa de extorsão teriam sido feitas pelo ex-dono de farmácia Valdomir Hartmann, 36 anos. O acusado teria exigido R$ 40 mil para manter sigilo sobre informações que teria, inclusive de um suposto desvio de medicamentos adquiridos pela prefeitura. Ouvido ontem à tarde pela Folha, Hartmann negou a acusação e disse que ele é que foi ‘‘vítima de chantagem e ameaças para não denunciar as irregularidades’’.
O caso já está sendo investigado pela Polícia a pedido do prefeito e com inquérito requisitado pelo Ministério Público. Aríston Limberger e Ivan Morozov preferem não se pronunciar. A Folha apurou que Hartmann e o secretário mantiveram pelo menos quatro contatos, pessoais ou por telefone, no final de maio. Uma das conversas foi transmitida (e gravada) através do telefone celular do secretário para o telefone do consultor jurídico da prefeitura, advogado Oscar Nasihgil. O advogado confirma a gravação - feita a partir da casa de Hartmann. A fita foi entregue pelo prefeito ao Ministério Público e, segundo ele, mostra ‘‘ameaças claras e objetivas’’.
Morozov ligou pelo celular acionando a tecla talk sem que o acusado percebesse, ‘‘em uma situação difícil, em que sua vida corria risco’’ - diz a nota transmitida à imprensa. Segundo Nasihgil, o acusado, além de ter pedido (segundo a versão oficial) dinheiro para não tornar públicas irregularidades em negócios da administração municipal, teria manifestado ‘‘revolta’’ com o prefeito pelo fato de ele ter negado financiamento de R$ 100 mil de um fundo municipal de apoio a pequenas empresas. Na nota da prefeitura o acusado é apontado como ‘‘detentor de dois CPFs, administrador de pelo menos três empresas em situação irregular, além de emitente de cheques sem fundo’’.
Valdomir Hartmann disse à Folha que nunca pediu empréstimo e que, ao contrário da denúncia, foi ‘‘chantageado depois que souberam que tinha informações comprometedoras sobre compras de medicamentos e outras’’. Hartmann disse que não pode dar detalhes a respeito, ‘‘porque o assunto agora está na Justiça’’, mas assegura que reuniu documentos com provas e que o secretário ‘‘foi enviado’’ à sua casa para lhe oferecer dinheiro ‘‘em troca do silêncio’’. ‘‘Morozov disse claramente que, se eu não me calasse, minha família sofreria as consequências’’, acusou. Ele não gravou a conversa. ‘‘Nunca fui mal-intencionado’’, afirmou.
Hartmann também comentou acusações de que tem emitido cheques sem fundo, usa CPFs diferentes e comanda empresas irregulares. ‘‘No caso dos CPFs, houve um erro no número de segunda via que solicitei e foi emitida pela Receita’’, disse. Antes da farmácia - a Confiança, uma das fornecedoras do Município e hoje com outra direção -, ele atuava na compra e venda de madeira. ‘‘Tenho meus problemas e dificuldades, não nego, e estou procurando resolvê-los, mas minhas empresas nunca tiveram nada de irregular’’, garantiu. Hartmann disse achar que a administração municipal ‘‘está utilizando seus problemas para desviar atenções, mas isso nada tem a ver com o caso envolvendo a prefeitura’’.

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