O cerco ao contrabando é importante para ''recuperar a imagem da cidade'', mas a mudança deve ser acompanhada de ''ações efetivas para garantir o emprego da população local que dependia dos empregos gerados pelo movimento de sacoleiros'', defende o prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo MacDonald Ghisi (PDT).
Os representantes mais numerosos da categoria em risco são os laranjas jovens que ajudam a transportar as mercadorias irregulares do Paraguai para o Brasil por rotas alternativas. Nas ruas de Foz, fala-se que milhares de pessoas ficarão desempregadas se a equipe da nova aduana cumprir a promessa de fiscalizar 100% das pessoas que entram no Brasil pela Ponte da Amizade. O prefeito prefere não arriscar uma estimativa, mas aguarda para os próximos 10 dias o resultado do ''Relatório de Impacto Social'' sobre as medidas implantadas na fronteira.
''Não existe o Relatório de Impacto Ambiental, quando se faz uma grande obra?'', questiona. ''Então, aqui estamos fazendo um cadastro para saber o número certo de pessoas que estão perdendo o emprego, começando pela periferia'', afirma MacDonald. Segundo ele, a existência dos laranjas remonta ''há décadas'', o que justifica a existência de políticas oficiais visando multiplicar os postos de trabalho para absorver a oferta de desocupados. ''Ao lado da repressão, queremos a presença de outros órgãos ligados ao emprego e renda para nos ajudar'', cobra.
O presidente da Associação Comercial de Foz (Acifi), Wanderley Teixeira, também avalia positivamente as mudanças na aduana e cobra a adoção de ações para atrair novos investimentos. ''A Acifi não dispõe de dados confiáveis para mensurar o impacto ocasionado pelo cerco ao contrabando, mas certamente os setores informais foram os mais prejudicados. Alguns setores legalizados sequer foram afetados'', afirmou. ''Para gerar mais empregos, precisamos de mecanismos especiais como o tratamento tributário diferenciado para indústrias eletroeletrônicas, de telecomunicações e informática'', disse - em referência à lei estadual aprovada este ano.
O vice-presidente de Comércio Exterior da Acifi, Mário Camargo, disse que a inauguração da nova aduana deve melhorar o fluxo de pessoas na Ponte da Amizade e ''beneficiar potenciais compradores do Brasil e Paraguai''.''Esperamos um impacto negativo inicial nas compras, mas com o tempo a tendência é que o comércio froteiriço seja revitalizado''. (F.C.)

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