Curitiba
Acabou a farsa montada pelo prefeito de Bocaiúva do Sul, Élcio Berti, que tentou atrair a atenção da imprensa proibindo a venda de preservativos e de anticoncepcionais na cidade. Ontem, depois de uma sessão secreta na Câmara de Vereadores, o prefeito admitiu revogar o ‘decreto’, que foi datilografado por ele mesmo, às pressas, e que nunca teve existência legal. ‘‘Foi tudo uma brincadeira que eu tive de levar a sério’’, disse Berti.
‘‘Não sei por que os outros prefeitos não fazem o mesmo’’, disse o prefeito, sem temer qualquer represália por ter criado uma falsa determinação e por tê-la defendido diante da população e do promotor de Justiça de município, Joel Carneiro Silva Filho.
Anteontem à noite, em sessão na Câmara com a presença de mais de 50 pessoas, Berti chegou a argumentar que levaria adiante a idéia para incentivar o aumento populacional em Bocaiúva do Sul. Sempre que deu entrevistas, nos últimos quatro dias, o prefeito disse que o fim do uso de método anticoncepcionais era a única maneira de garantir o aumento populacional no município, garantindo uma participação maior na cota do Fundo de Participação dos Municípios. Algumas vezes ele disse que a decisão era um protesto contra o abandono dos pequenos municípios do Paraná. ‘‘Agora já tem um monte de gente querendo me contratar para administrar o departamento de marketing das suas empresas’’, diz o prefeito, cheio de sorrisos.
Desde segunda-feira, quando distribuiu cópias do ‘decreto’ pelo município, Berti passou a receber duras críticas dos moradores de Bocaiúva, que ficaram revoltados com o descaso do prefeito para as condições de saúde da população.
Berti afirma que moeda de troca oferecida ao governo do Paraná para a revogação do ‘decreto’ (a instalação de uma grande indústria em Bocaiúva do Sul) foi aceita pelo governador Jaime Lerner. Segundo prefeito, um dos secretários de Estado ligou para sua casa ontem de manhã para avisar que o governador já tem uma proposta para o município. ‘‘Tudo ocorreu conforme o previsto’’, comemorou.

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