Prefeito de Lunardelli pede socorro ao Estado
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quinta-feira, 23 de janeiro de 1997
Maurício Borges Correspondente 
LUNARDELLI - Com uma dívida vencida de R$ 2,7 milhões, e uma receita mensal de apenas R$ 120 mil, o prefeito de Lunardelli (90 quilômetros ao sul de Apucarana), admite que o Município, de 8 mil habitantes, está falido. Para ele, somente com a ajuda do Estado e da União, liberando recursos a fundo perdido, a prefeitura teria condições de compôr sua dívida e retomar suas atividades normais.
A situação é tão caótica, que os telefones da prefeitura e dos postos de serviço dos distritos estão cortados, por falta do pagamento das contas, desde outubro. A dívida com a Telepar é superior a R$ 16 mil.
A prefeitura também deve R$ 26 mil para a Copel e R$ 11 mil para a Sanepar. Na prefeitura, a luz e a água foram mantidas. Porém, as outras repartições do município foram desativadas por causa do corte de água e luz.
Além de dívidas com uma extensa lista de fornecedores, o município deve para o banco BMD (operação de antecipação de receita), e continua com o bloqueio parcial de até 60% de sua receita para cobertura de salários atrasados do funcionalismo. O bloqueio foi determinado pela justiça.
Alguns servidores têm pendências referentes a 1995. Existem ainda parcelamentos resultantes de confissão de dívidas do INSS e FGTS.
Audiência O prefeito de Lunardelli, Mário Moribe, tinha audiência marcada, ontem, com o chefe da Casa Civil do governo do Estado, Giovani Gionédis, em Curitiba, para expor a situação do município e reivindicar ajuda do estado.
Apesar do Governador Jaime Lerner já ter anunciado que terá uma postura rígida mesmo em relação ao municípios necessitados, confiamos que o caso de Lunardelli mereça uma atenção especial, em função da real situação de falência, afirmou Moribe ontem, antes de viajar.
Ele adiantou ainda que, após um levantamento minuscioso do quadro financeiro, concluiu que só existe uma esperança para Lunardelli, que seriam recursos a fundo perdido.
Com um programa de demissão voluntária, buscando reduzir de 230 para 150 o número de funcionários, e recursos da União e do Estado, poderíamos administrar as dívidas e conduzir programas em parcerias, argumenta Mário Moribe.


