GOIOERÊ - Setenta cargos da Prefeitura de Goioerê (78 quilômetros a oeste de Campo Mourão) foram extintos esta semana a pedido do prefeito Vicente Okamoto (PSDB). Ele alegou enxugamento da máquina administrativa e irregularidades no concurso de 1995, no qual foram aprovados servidores dos cargos extintos. Os 70 funcionários foram dispensados automaticamente. Cada um vai receber o equivalente a um salário por ano trabalhado como indenização.
A extinção foi aprovada pela Câmara de Vereadores por 8 votos a 3. Apenas os três membros da Comissão de Justiça e Redação - Maria de Lourdes Freire Barros (PSDB), José Torres (PT) e Ademir Flor da Silva (PDT) - votaram contra. Eles alegaram que a extinção de apenas 70 dos 237 cargos preenchidos no concurso de 95 contrariava o princípio da igualdade. Segundo a prefeitura, no entanto, a extinção dos cargos e a anulação do concurso são coisas distintas.
‘‘A medida é dolorosa, mas sem ela nossa administração seria impraticável’’, diz Okamoto. Em apenas dois meses ele já cortou 303 funcionários da Prefeitura. Os 1.101 que existiam até dezembro agora são 798. Só em cargos de comissão foram eliminados 80 com a extinção de 11 secretarias. Vários outros departamentos da administração indireta foram reduzidos. A extinção da Banda Municipal cortou outros 58 funcionários, dos quais apenas 14 eram músicos.
ObrigaçãoNo total, a economia com as demissões é de cerca de R$ 120 mil por mês. Esse valor ainda deve subir se a Assessoria Jurídica der parecer favorável à anulação do concurso de 95. Nesse caso um novo concurso seria aberto, mas com número menor de vagas.
Okamoto, que já foi prefeito da cidade duas vezes, alega que o número de servidores subiu muito, levando-se em conta que o município perdeu dois distritos e teve a população reduzida nos últimos anos.
A presidente em exercício do Sindicato dos Servidores, Élcia Guedes de Carvalho, disse ontem à Folha que a entidade apóia as medidas tomadas pelo prefeito. ‘‘A prefeitura precisa de enxugamento e temos que defender o que é certo’’, ressalta. Apesar disso, o sindicato vai entrar com uma ação judicial em defesa de 13 dos 70 funcionários que tiveram cargos extintos, pois são filiados ao sindicato.

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