Prefeito de Foz contesta perícia de obras
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), contestou ontem a perícia encomendada pela Justiça que apontou superfaturamento de 75%, em média, em obras de sinalização realizadas na cidade em dezembro de 97. A procudoria-geral do Município vai pedir a impugnação do laudo feito pela perícia.
De acordo com o procurador do munícipio, Ataliba Ayres de Aguirra Filho, no laudo do perito Jesus Luis Batista Rosa contratado pela Justiça os preços apresentados foram baseados apenas no valor de mercado da mão-de-obra e do material necessários ao trabalho, sem computar os valores pagos pelo estudo técnico, manutenção e impostos.
O trabalho, que incluiu pinturas de sinalização de solo e instalação de placas e semáforos, custou aos cofres municipais R$ 1,54 milhão. Nas contas do perito Rosa, o custo real não ultrapassou R$ 888,2 mil uma diferença de R$ 651,8 mil.
Todo o processo foi legalmente constituído e, a princípio, não há nenhuma irregularidade, afirmou Daijó em entrevista coletiva, ontem à tarde. Ele alegou que o perito não deve ter considerado o custo total do projeto, incluindo a instalação de semáforos em rede, comandada por um sistema computadorizado. O sistema é responsável pelo sincronismo dos semáforos, principalmente na região central da cidade.
O suposto superfaturamento foi denunciado em agosto de 97 pelo ex-diretor da Secretaria Municipal de Obras, Ailton José de Farias, que integrava a Comissão de Licitação da prefeitura. Ele chegou a entregar ao prefeito um documento onde apontava que o valor real seria de aproximadamente R$ 900 mil muito próximo do valor apontado hoje pelo perito.
Questionado sobre o alerta feito pelo ex-funcionário, o prefeito argumentou que os valores foram novamente aferidos e readequados pelo engenheiro Issao Oshima, perito contratado da prefeitura responsável pela elaboração de editais e a consequente execução de licitações e tomadas de preços.
As obras de sinalização foram realizadas com verba repassada pelo Fundo do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), que na época dispunha de aproximadamente R$ 6 milhões para projetos em todo o Estado. Segundo Daijó, os valores estabelecidos foram considerados regulares pelo Conselho Técnico do Detran, ao qual foi submetido o projeto. O projeto de sinalização é um dos melhores do Paraná, disse o prefeito.





