Prefeito de Cornélio culpa Pozzi por dívidas
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de fevereiro de 1997
Luciane Tonon Correspondente 
CORNÉLIO PROCÓPIO - O prefeito de Cornélio Procópio, José Antônio Otone da Fonseca (PMDB), acusa o ex-prefeito Márcio Pozzi (PTB) de ter deixado a prefeitura com uma dívida de R$ 13 milhões, o que equivale a um orçamento anual. Ele também denuncia que a administração anterior tinha um quadro de 126 cargos comissionados.
É uma situação caótica, um absurdo de cargos de confiança, uma dívida enorme com as estatais e a folha de pagamento com três meses de atraso, acusou Fonseca. Segundo ele, a conta de água não vinha sendo paga desde julho de 95, acumulando uma dívida de R$ 82 mil para a Sanepar. Já a dívida com a Copel é de R$ 205.600, acumulada desde fevereiro de 96.
Entre outras dívidas, Fonseca ressalta ainda o atraso salarial do funcionalismo, no valor de R$ 1.128.841,00, correspondente aos meses de novembro, dezembro e 13º, além de duas férias atrasadas para os professores. Para acertar todas as dívidas, a prefeitura teria que ficar fechada por um ano.
Ouvido pela Folha, o ex-prefeito Márcio Pozzi reconhece que deixou dívida com as estatais. Preferi dever para as estatais do que para os fornecedores, quando nos deparamos com a crise que assolou todas as prefeituras do interior, explicou. Ele disse que a Sanepar, a Copel e Telepar também deviam o IPTU. Por isso deixamos de pagá-los.
Pozzi contesta a acusação de que deixou dívida de R$ 13 milhões. Ele afirma que, da dívida total apontada pelo atual prefeito, R$ 6.830.630 são de dívidas anteriores à sua gestão, acumuladas por falta de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), e por débitos com o Programa de Auxílio aos Municípios (PRAM), Programa de Desenvolvimento Urbano (PEDU), INSS e Pasep. A dívida que deixamos com estatais e o atraso salarial aproxima-se de R$ 4 milhões, afirmou o ex-prefeito. Ele disse que lamenta não ter saldado a folha de pagamento.
Quanto ao acúmulo de cargos comissionários, Pozzi diz que durante a gestão teve que contratar pessoas com urgência. Como não eram concursados, eles foram, segundo ele, classificados como cargos de confiança. Mas nestes cargos incluem-se o guarda da rodoviária, o médico do Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic), entre outros.
A atual administração conta com 22 cargos em comissão. Segundo o prefeito, eles estão acumulando pastas. Vamos permanecer assim até que se proceda uma reforma administrativa, informou Fonseca. Ele disse ainda que para sair da crise, a prefeitura está fazendo um levantamento de impostos atrasados, que chegariam a aproximadamente R$ 1,8 milhão.


