Prefeito corta carona de professoras
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
Luciane Tonon Barra do Jacaré 
Luciane TononSem caronaGrupo de professoras do Estado diz que foi impedido de usar o transporte municipal até a escola rural O resultado das eleições para a direção do Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, divulgado no dia 25 de outubro, gerou uma guerra política em Barra do Jacaré (47 km a oeste de Jacarezinho). Algumas professoras da rede estadual estão sendo impedidas de ocupar o transporte municipal que as conduzia para a zona rural. Elas alegam perseguição política, pelo fato da candidata apoiada pelo prefeito ter perdido as eleições por 80% dos votos.
Coincidência ou não, a impossibilidade de serem transportadas pela Kombi da prefeitura começou após a eleição para diretores. O argumento de que é perseguição política, segundo as professoras, é que oito delas, inclusive a diretora eleita, são irmãs do ex-prefeito Nilson Santos, que faz oposição ao atual prefeito. Sabemos que é perseguição porque os próprios alunos foram ameaçados de perder o transporte caso votassem na minha irmã, explicou a professora Nilcéia Aparecida dos Santos.
Segundo ela, na semana que antecedeu as eleições foram distribuídos entre os alunos folhetos que acusavam a atual diretora, Darci dos Santos Rezera, que foi eleita pela terceira vez consecutiva, de desvio de recursos públicos junto com o ex-prefeito.
Chegaram a oferecer notas aos alunos para votar na outra candidata, contou a professora, Zeneide dos Santos. Segundo ela, a Escola Rural do bairro Coqueiralzinho (5 km da cidade) existe há 15 anos e é a primeira vez que as professoras ficam sem transporte. Está na lei orgânica do município o transporte escolar garantido, comentou a professora Cleide dos Santos Batista, vice-diretora.
As professoras contam que no dia seguinte às eleições, quatro delas estavam esperando a Kombi quando o motorista chegou o disse que não tinha mais autorização para levar as professoras da rede estadual. Não entendemos a posição do motorista, que foi com a Kombi praticamente vazia, mas pegamos carona para ir até a escola rural, contou Zeneide.
Na volta, contou a professora, elas entraram na Kombi e disseram que não sairiam. O motorista ligou para o prefeito e recebeu ordens de abandonar a Kombi com as professoras dentro, porque outro veículo iria buscar os alunos. Ficamos lá das 11 horas da manhã até às 17 horas, em protesto. Inclusive oferecemos pagar pelo transporte e não fomos atendidas.


