Prefeito admite falha no transporte de funcionários
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sábado, 12 de fevereiro de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Cambé - O prefeito de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Adelino Margonar (PMDB), disse ontem que não conhecia o método de transporte de operários utilizado pela Companhia de Desenvolvimento de Cambé (Comdec). Na quinta-feira à tarde, um acidente entre um caminhão da Comdec e um ônibus da TIL Transportes Coletivos, na Avenida Roberto Conceição, principal via de acesso ao centro, deixou dois funcionários mortos e mais sete pessoas feridas. Margonar admitiu que carregar gente em cima da carroceria, sem as mínimas condições de segurança, foi uma decisão errada, mas descartou afastar qualquer diretor da autarquia.
''Isso está fora de cogitação. Acho que não foi legal, aquela não é a forma ideal de fazer o serviço, mas tivemos pouco tempo desde que assumimos a prefeitura para tomar pé da situação. Segunda-feira, serão 40 dias que assumi. Tem muita coisa que a gente ainda não sabe, e tomamos conhecimento da irregularidade do transporte de operários da maneira mais difícil'', lamentou. Ele garantiu que prefeitura está custeando as despesas clínicas das vítimas que continuam hospitalizadas. ''Também estive nos velórios oferecendo ajuda aos familiares'', prosseguiu.
Ontem, a perícia do Instituto de Criminalística (IC) confirmou a falta de proteção dos operários carregados em cima do caminhão. ''Está muito claro que aquele tipo de veículo não é apropriado para transportar pessoas. O ideal seria um ônibus. Se tivesse alguma proteção, eles não teriam sido arremessados para fora'', argumentou o perito Daniel Felipetto, do IC. O tacógrafo instalado no coletivo detectou, em uma primeira análise, que o ônibus estava abaixo dos 60 km/h.
O delegado Valdir Abrahão, que abriu inquérito para apurar o caso, acredita que a velocidade pode ser maior. ''Pela frenagem, o motorista poderia estar correndo mais do que o tacógrafo acusou. Por isso, enviamos o disco para uma perícia mais detalhada.'' De acordo com o IC, a freada do coletivo foi de 27 metros até a batida com o caminhão. 'Ainda vamos calcular se a velocidade apontada pela aparelho é condizente com o rastro deixado pelos pneus do ônibus'', disse o perito.


