O alerta partiu da regional do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR) em Londrina: a maioria dos prédios da cidade não faz a manutenção periódica de seus pára-raios. O problema é que a região Norte do Estado, conforme informou reportagem de ontem da Folha, é uma das mais suscetíveis a esse tipo de fenômeno da natureza. Só este mês cinco pessoas foram atingidas por raios no perímetro urbano de Londrina, sendo que uma das vítimas morreu e outra está internada em estado grave.
O Crea-PR fiscaliza a instalação dos equipamentos mas, de acordo com o gerente regional do Crea-PR, Mário Ribas Blanski, não existe legislação que obrige os responsáveis pela edificação a fazer a manutenção periódica do sistema. Com isso, segundo ele, são poucos os prédios que fazem a inspeção preventiva. Blanski explicou que o equipamento de proteção contra raios é exigido para imóveis multi-habitacionais, como igrejas, escolas e hospitais, e para aqueles com mais de quatro pavimentos. Em casas, a instalação do pára-raios não é obrigatória.
O diretor técnico da Procelt Engenharia Elétrica, Brasil Alvim Versoza, confirmou que ''recebe pouquíssimas solicitações de vistoria'' e também alertou sobre os riscos, já que o pára-raios tem a função de desviar a descarga elétrica para o solo, protegendo a edificação e as pessoas. ''Quando não existe um sistema adequado, a descarga procura a ferragem para descer e os estragos (na construção) podem ser grandes'', afirmou.
Versoza detalhou que a inspeção visual nos pára-raios deve ser feita anualmente. Já a periodicidade da inspeção completa é variável: um ano para imóveis onde existem explosivos e munição ou que sofrem ação mais intensa de agentes corrosivos; três anos para locais de grande concentração de pessoas, como ginásios e pavilhões de exposição; e cinco anos para prédios públicos, residenciais e comerciais.
O engenheiro explicou que os sistemas mais modernos utilizam a parte metálica das colunas dos edifícios para aterramento. Versoza lembrou que nem mesmo o custo do equipamento pode ser usado como argumento para justificar a falta de cuidados; um sistema de pára-raios para um edifício de quatro andares, por exemplo, gira em torno de R$ 3 mil.
As regiões Norte, Noroeste e Oeste do Estado são as mais sujeitas à ocorrência de raios, segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar). No início do mês, o estudante Jonatas Héber Morais, de 16 anos, foi atingido por uma descarga no quintal da casa onde morava, na zona sul, e faleceu no local. Anteontem, quatro pessoas que caminhavam por uma rua na zona leste tiveram ferimentos por causa de um raio que caiu nas proximidades. Uma das vítimas, Jair Rosa da Paixão, 22 anos, foi encaminhado em estado grave para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário, onde permanece internado.

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