Maigue Gueths
O que mais se ouve entre as pessoas durante o inverno curitibano são exclamações como ‘‘ai, que frio’’ ou ‘‘meu Deus, que gelo‘‘. Mais do que uma simples reclamações, o que estas frases exprimem é uma constatação da dificuldade enfrentada pelos habitantes de Curitiba nestes meses de frio, quando são obrigados a conviver com temperaturas próximas de zero em construções que em nada são adequadas para o clima. No dia-a-dia, as pessoas sentem o frio em construções símbolo da cidade, como nas estações tubo, nas ruas da Cidadania ou mesmo no teatro Ópera do Arame, um dos lugares mais criticados pelos arquitetos. Mas são em alguns edifícios públicos que a situação fica mais difícil. É o caso dos dois prédios laterais da Reitoria da Universidade Federal do Paraná, D. Pedro I e D. Pedro II, cuja arquitetaura ‘‘é própria de regiões bem quentes, pois são iluminados e protegidos da ação direta dos raios solares’’, segundo o engenheiro civil Paulo Werner, da UFPR. Há quem diga que o projeto dos prédios foi encomendado pelo governo federal para uma universidade no Nordeste, mas como a verba para construção saiu primeiro para o Paraná, os edifícios foram construídos aqui. Sofrem também os funcionários públicos que trabalham no edifício Castelo Branco, que abriga várias secretarias de Estado no Centro Cívico. O edifício não tem janelas e é quase constantemente varrido por uma ventania no andar térreo, onde existe um vão enorme.
O uso da calefação é praticamente descartado, em função do alto custo. Na Europa, Estados Unidos e Argentina este sistema é comum, através do gás encanado. No Brasil, o que se usa para esquentar casas e apartamentos são aquecedores elétricos. ‘‘É um absurdo o gasto com estes equipamentos elétricos, quando devíamos aproveitar melhor o sol’’, diz o arquiteto Alexandre Ton dos Santos, especialista em conforto ambiental.
Para os profissionais da área, o grande problema de Curitiba é a legislação da cidade, que levou gerou uma concentração de edifícios altos nas regiões estruturais da cidade (via expresso mais duas rápidas), tirando o sol e a ventilação dos prédios. ‘‘Nós tínhamos que aproveitar a ensolação natural’’, diz o arquiteto Frederico Carstens.

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