Érika Pelegrino
De Londrina
Grande parte dos prédios antigos, com quatro ou mais andares, localizados no centro de Londrina, encontra-se em condições precárias na prevenção e combate de incêndio, muitas vezes colocando em risco a vida dos moradores. A constatação foi feita ontem à tarde durante vistoria de demonstração do Corpo de Bombeiros, para a qual foi escolhido um condomínio residencial construído no centro de Londrina há mais de 40 anos.
O prédio não obedece à NBR 9077/1993 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e ao Regulamento de Prevenção e Combate a Incêndios do Corpo de Bombeiros em diversos itens, entre eles: não possui extintor em nenhum andar, as mangueiras dos hidrantes de parede estão danificadas, com risco de se romper na hora de utilizá-las; em um dos andares não há mangueira, nenhuma das caixas obedece às exigências de possuir portas pintadas de vermelho, com vidro e identificação de incêndio.
Outra irregularidade grave constatada no condomínio é a falta de hidrante de recalque (utilizado pelo Corpo de Bombeiros para mandar água para a rede hidráulica no caso de faltar água na caixa d’água do prédio) em condições de uso. Na cobertura do edifício, também foi verificada a ausência de extintor com gás carbônico, exigido no andar onde fica a casa de máquinas. Nos outros andares deveria haver, em cada um, extintores com pó químico.
As escadas também possuem problemas como corrimão com canto vivo (quinas, nas quais os moradores podem ter suas roupas enroscadas em uma emergência) e ausência de corrimão em um dos lados. Segundo o 2º tenente do Corpo de Bombeiros, Fábio Azevedo, que acompanhou a vistoria, esta situação representa as condições em que se encontra a maioria dos prédios antigos construídos no centro da cidade.
As vistorias oficiais, de acordo com o tenente Azevedo, são realizadas anualmente. Na ocasião, os bombeiros, segundo ele, costumam orientar o zelador ou o síndico sobre algumas regras básicas em casos de incêndio, entre elas, como usar o extintor. ‘‘Mas esta orientação fica restrita a uma ou duas pessoas. O ideal é numa reunião de condomínio solicitarem a presença de um bombeiro para orientar todos os moradores’’, afirma.
No caso dos prédios que estão sendo construídos, o tenente Azevedo explica que a vistoria é feita em três etapas antes de o prédio receber o ‘‘habite-se’’. Na primeira, é verificado se o projeto arquitetônico prevê a construção de caixa d’água com volume de água adequado, saídas de emergência e central de gás dentro do padrão.
Após 120 dias avalia-se o projeto de prevenção de incêndio, para verificar todo o sistema de prevenção e combate, e finalmente é realizada a vistoria na obra.Corpo de Bombeiros alerta que grande parte das edificações antigas não tem itens básicos de prevenção e combate ao fogo
Mário CesarMário CesarMário CesarSEM CONDIÇÕESBombeiros constatam falta de extintor de incêndio em prédio do centro da cidade (acima). O mesmo edifício tem muitas irregularidades, como a falta de mangueira em um hidrante de parede (ao lado) e um hidrante de recalque totalmente danificado (abaixo)

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