Uma matéria que circula pela Câmara Municipal de Curitiba desde o início desta semana pode trazer novamente à tona o escândalo da Encol, vivido por milhares de mutuários com a falência da construtora há cerca de três anos. A novidade é que, pelo menos desta vez, não está se falando em prejuízo apenas deles, mas de toda a comunidade. Preocupado com o risco à segurança oferecido pelos ‘‘esqueletos’’ de construções, o vereador Jair Cézar, (PTB) lançou um documento intitulado ‘‘Herança da Encol’’. A idéia é chamar a atenção das autoridades para os quase 50 prédios abandonados em toda a cidade.
Segundo o vereador o problema é registrado de duas formas. O primeiro com relação ao próprio material das contruções que, exposto às intempéries, estaria se desmanchando e colocando em risco casas e propriedades vizinhas aos empreendimentos abandonados. O segundo, relacionado às invasões. De acordo com Jair Cézar, os prédios estariam sendo usados como abrigo para sem-tetos e até fugitivos da lei.
‘‘Nesta semana mesmo’’, conta o vereador, ‘‘mandei um ofício ao prefeito alertando para o perigo. Na quarta-feira, por exemplo, fiquei muito preocupado. Com todo aquele vento não seria nada difícil que materiais como telhas e madeiras voassem dos prédios em direção a rua, machucando seriamente alguém. É uma herança terrível não só para os mutuários, mas para todos nós’’.
Opinião que é compartilhada pelo engenheiro civil, Renato Keinert Júnior. Proprietário de uma empresa que trabalha justamente com a análise da qualidade e durabilidade dos materiais de construção, ele alerta para vários problemas nas construções paralisadas. Segundo ele, um tijolo que cai de um prédio pode não só arruinar um carro, como até mesmo matar uma pessoa. ‘‘É só observar um prédio destes’’, explica Keinert. ‘‘O perigo está principalmente nos materiais de apoio à construção. São as torres de elevadores provisórios, os guinchos, os bandejões para proteção contra queda de material e até mesmo os tapumes. Eles podem se soltar a qualquer momento’’.
PROVIDÊNCIAS - Criada em dezembro do ano passado, a Cosedi - Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis, da prefeitura de Curitiba, pode ser o primeiro passo para melhorar a situação. O grupo é formado por engenheiros e arquitetos e tem poder para interditar, desocupar e até mesmo embargar imóveis residenciais e comerciais que representam risco para a população. Entre eles, os próprios prédios abandonados de Curitiba. ‘‘O que a gente tem feito’’, explica Roberto Marangon, coordenador da comissão, ‘‘é um relatório dos prédios que são monitorados anualmente. Fazemos vistorias para ver se não há riscos de segurança, em função da deterioração das estruturas. E, caso haja problemas tomamos as providências necessárias’’.
Providências que vão desde a notificação dos proprietários, até obras financiadas pela própria prefeitura. ‘‘O ideal seria que nós apenas notificássemos os proprietários e eles mesmos fizessem os consertos’’, desabafa Marangon.

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