Prédio que abrigou RU virou mocó
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Cláudio Osti 
Uma briga entre meninos de rua, ontem à tarde, deixou três deles feridos e a vizinhança do prédio onde funcionou o Restaurante Universitário, apavorada. A confusão aconteceu pouco depois das 16 horas. O local que, por mais de 20 anos, reuniu universitários foi transformado em mocó por mendigos e menores.
Uma menina de 12 anos disse que estava brincando com um colega na Rua Canudos, centro de Londrina, em frente o antigo RU quando, segundo ela, machucou a boca do menino. Aí começou a briga. Um outro garoto, de nove anos, interferiu e jogou um tijolo na nuca e um outro no rosto da menina. Ela reagiu e acertou o braço dele com um pedaço de pau.
A polícia foi chamada e levou os dois para o Hospital Universitário. Os outros menores que estavam no local fugiram com a chegada da viatura da PM. A garota levou diversos pontos na nuca e na parte interna da boca. O menino de nove anos teve um dedo da mão esquerda quebrado. Os dois foram levados para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), passariam por uma triagem e depois seriam encaminhados para suas casas.
Os moradores e as pessoas que moram nas redondezas do prédio onde funcionou o restaurante universitário estão revoltados com a situação. O RU foi transferido para o campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o antigo prédio do restaurante foi abandonado; as vidraças estão quebradas e o salão onde eram feitas as refeições virou um depósito de lixo. Hoje o prédio serve de abrigo para mendigos e menores de rua, que encontram ali um refúgio para dormir e consumir drogas.
A estudante do curso de letras da UEL, Fabiana Aparecida de Oliveira, que mora na Casa do Estudante, ao lado do ex-RU, disse que há meses cerca de 15 a 20 crianças e adolescentes frequentam o prédio. Eles ficam andando de um lado para o outro com aqueles saquinhos com cola de sapateiro. À noite, fazem muita bagunça. Cansamos de chamar a polícia e ela nunca aparece. De manhã é comum adolescentes que estudam nas escolas aqui da região virem fumar maconha. Dias atrás uma garota estava tendo convulsões por causa da droga. Os pais acham que os filhos estão na escola eles estão aqui consumindo drogas.
Maria Dionísio Ribeiro, funcionária do Canadá Country Club, também estava revoltada. Ela disse que muitos estudantes frequentam o ex-restaurante para fumar maconha. A situação é muito perigosa. Eles estão lá a qualquer hora do dia. Matam aula para ir se drogar; você nunca sabe do que um garoto drogado é capaz de fazer. A polícia não toma providências, não sabemos a quem recorrer, disse.


