O prédio apresenta desgaste do tempo e é alvo de vandalismo; promessa da prefeitura é que o serviço seja concluído em seis meses
O prédio apresenta desgaste do tempo e é alvo de vandalismo; promessa da prefeitura é que o serviço seja concluído em seis meses | Foto: Pedro Marconi - Grupo Folha

Ibiporã - Quase dez anos depois de ser interditado pela Defesa Civil, o prédio que abrigava a Biblioteca Pública Municipal de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) será revitalizado. O desfecho positivo está se concretizando após a prefeitura e a empresa responsável pela construção chegarem a um consenso. A unidade foi inaugurada no final de 2008, mas foi fechada no ano seguinte em razão de fortes chuvas no mês de outubro, que culminaram em infiltrações e goteiras.

Na época, o município ficou sem espaço provisório para a biblioteca por nove meses, até que um local foi alugado. Desde então já foram gastos, até maio deste ano, mais de R$ 223 mil com aluguel. O prédio interditado apresenta desgaste do tempo e do descuido em praticamente todos os cantos. Seu interior está sujo, o gesso do teto não existe mais, o chão acumula lodo, paredes estão rachadas e pichadas e infiltrações podem ser vistas. Até a vegetação se reproduziu no interior da área.

O acordo entre empresa e município prevê que a instituição privada faça reparos em telhado, rufos, cabeamento elétrico, tomadas e cobertura, gastando R$ 113 mil. O restante será executado por servidores da prefeitura, como pintura, divisórias, limpeza e paisagismo em geral. “É uma cobrança antiga da população. Um prédio central e que poderia estar servindo a comunidade, o que hoje não está”, reconheceu o prefeito de Ibiporã, João Coloniezi.

Quando aconteceu a interdição do local, a administração municipal chegou a acionar a construtora para promover os reparos necessários, entretanto, ela alegou que tudo foi ocasionado por falta de cuidado do poder pública, que não teria realizado a manutenção preventiva de forma correta nas calhas. Isto fez com que o caso fosse parar na Justiça, com o município entrando com ação contra a Contato Engenharia, com sede na própria cidade. A situação vinha se arrastando nos últimos anos.

“Nos deparamos, neste processo, com uma série de questões divergentes e ainda com audiências para serem designadas, com perspectiva bem longa de conclusão. Foi quando tivemos a iniciativa de chamar as partes para tentar formular um acordo viável para todos, visando a revitalização do imóvel”, explicou o procurador jurídico de Ibiporã, Jordan Rogatte. O prazo para finalização das obras é de seis meses, a contar de 2 de maio. O processo fica suspenso por este período. O MP (Ministério Pública) e a Vara de Fazenda Pública do município aceitaram o acordo firmado e vão analisar os resultados em seu final.

Imagem ilustrativa da imagem Prédio que abrigava biblioteca de Ibiporã será recuperado
| Foto: Pedro Marconi - Grupo Folha

FREQUÊNCIA

A notícia foi comemorada pelos moradores do entorno da estrutura abandonada. Eles reclamam que o prédio se tornou alvo de vândalos, esconderijo para criminosos e abrigo para moradores de rua. “A prefeitura colocou tapumes no entorno, mas mesmo assim entram e gera insegurança para a população. Era bonito e as crianças, principalmente, usavam, entretanto se tornou uma obra do descaso. Tomara que entreguem tudo arrumado no tempo prometido”, elencou a aposentada Maria das Dores.

A edificação custou R$ 700 mil para ser levantada. A promessa da prefeitura é que após ser recuperada e reaberta como biblioteca pública, a manutenção irá ocorrer com frequência. “Árvores que circundavam já foram retiradas. As obras que vão ser feitas contemplam também a manutenção da inclinação do telhado. A estrutura será elevada e vai aumentar o dimensionamento das calhas. Só isto já melhora e muito o problema da coleta das águas da chuva”, apontou Coloniezi. “Não trabalhamos com a hipótese de não terminar em seis meses. Todos estão cientes do prazo, que foi fixado pelas próprias partes e não pelo juiz”, destacou Rogatte.

O espaço integra o complexo que ainda conta com o Cine Teatro Padre José Zanelli, Fundação Cultural, secretaria e Casa de Cultura.

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