Da Sucursal

Alessandro SantosSem ninguémA fachada do prédio onde funcionava o Lar das Meninas; problemas de rachaduras obrigaram a transferência de localUm lugar previlegiado, cobiçado por muitos e em completo abandono. É como está hoje o prédio onde desde 1954 funcionava o Lar das Meninas Hermínia Lupion, no bairro Mercês em Curitiba. Doado pelo governador Moisés Lupion, em 1950, o Lar das Meninas espera o início das obras de reforma para o retorno das cerca de cem meninas carentes, que foram transferidas para um local provisório no Tarumã.
Dois laudos técnicos, do Decon e do Centro de Estudos de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná, confirmaram em fevereiro do ano passado, os riscos da estrutura do prédio antigo. As meninas e as irmãs vicentinas, que administram a instituição, foram então transferidas para o prédio no bairro Tarumã.
Segundo o vice-presidente da Associação dos Amigos do Lar das Meninas, Márcio de Oliveira Ramos, ‘‘hoje o Lar das Meninas passou a simbolizar aquilo que ele levou 40 anos tentando evitar, a imagem do abandono. O governo do Estado não vem cumprindo o compromisso de reformar o prédio para ser utilizado como um centro de apoio à criança aberto à toda comunidade. E também não construiu as dez ou 12 casas-lares para as meninas viverem com pais sociais.’’
Ele afirma que os meses foram passando e até hoje, a comunidade aguarda uma resposta da Secretaria da Criança sobre o andamento do projeto e as oportunidades de participação da comunidade. ‘‘Nossas tentativas de reunião com os órgãos envolvidos têm sido sucessivamente adiadas. Em novembro, ao final de uma reunião do Conselho Estadual da Criança, a secretária Fani Lerner informou que a proposta havia sido aprovada, mas seus assessores não nos prestam qualquer informação’’, reclama.
Para a diretora do Lar das Meninas, irmã Tarcila Stoffel, ‘‘as meninas estão muito bem instaladas, com mais privacidade, em quartos menores, seguindo inclusive a determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente’’, referindo-se ao local no Tarumã.
A irmã disse que não conversa muito com as meninas sobre o assunto da transferência e da volta ao prédio antigo. ‘‘Não podemos criar um ambiente de ansiedade entre as meninas. Elas já sofreram o afastamento da família e não é justo que criem expectativas’’, reconhece.
A prosposta de um centro de apoio é muito bem-vinda pela diretora, diz. Ela afirma que seria ideal para as meninas, viverem em casas-lares. ‘‘O prédio principal, nas Mercês é enorme e estava com parte ociosa. Teríamos capacidade para cerca de 300 meninas e acho que o espaço pode ser bem melhor aproveitado possibilitando a convivência das meninas com toda a comunidade’’, analisa.

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