Pais dos 40 alunos do projeto Educar-te, desenvolvido pela Associação de Mães e Pais do Conjunto Aquiles Stenghel (Ampas), na zona norte de Londrina, não aceitaram a transferência das crianças para outro local. O prédio, onde funciona o projeto, ao lado da creche da Ampas, foi considerado inadequado pela promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina de Paula, durante uma vistoria feita na última semana.
Na ocasião, a promotora verificou que o prédio estava sem energia elétrica e com banheiros em condições precárias. O Ministério Público deu um prazo de dez dias para que fosse encontrado um novo local ou que o espaço atual fosse readequado. A creche também é acusada de irregularidades na aplicação de dinheiro, uso de alimentos fora do prazo de validade e possíveis maus-tratos de crianças.
Anteontem à noite, durante uma reunião, a secretária municipal de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, apresentou a proposta de transferir as crianças atendidas para um outro local, cerca de 900 metros distante. Os pais não aceitaram a opção, mas apresentaram a contraproposta de adaptar o prédio onde funciona o projeto, e enquanto isso, arrumar outro temporário para que o Educar-te continue funcionando. ‘‘Os pais entenderam que era inviável a mudança, principalmente por causa da distância’’, disse.
De acordo com a promotora, a proposta deverá ser entregue por escrito e dentro do prazo de dez dias, que vence na próxima quarta-feira. ‘‘É interessante notar que a comunidade se mobilizou. Vou respeitar a decisão deles desde que as crianças não fiquem em situação de risco’’, afirmou.
A coordenadora do projeto, Heloísa Botelho, disse que ‘‘os pais têm confiança na direção do projeto’’. ‘‘Eles vão poder ajudar principalmente com promoções e campanhas de arrecadação de alimentos para suprir o recurso insuficiente que a prefeitura repassa’’, disse. De acordo com ela, são repassados R$ 1,2 mil por mês.

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