Prédio do Evangélico pode ir a leilão
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quinta-feira, 08 de março de 2001
Silvana Leão De Londrina 
O Hospital Evangélico (HE) de Londrina poderá ser levado a leilão no próximo dia 19 pela não quitação de dívidas junto à empresa alemã Siemens, que produz equipamentos médicos. Os advogados da empresa afirmam que o débito é de cerca de R$ 5 milhões e foi contraído há aproximadamente 14 anos, com a importação de aparelhos para realização de exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultra-sonografia, mamografia, cineangiografia e radiografia digital.
Diante da dificuldade de pagamento por parte da Sociedade Evangélica Beneficente de Londrina, mantenedora do hospital, foi feito um acordo em que ficou definido o pagamento da dívida em 36 parcelas mensais. Porém, só 13 foram pagas. A última carta precatória enviada pela Justiça do Rio de Janeiro (onde foi aberto o processo) a Londrina data de 30 de novembro de 1999. O documento requer o prosseguimento do processo de execução e pede a alienação judicial dos bens penhorados.
O imóvel onde está instalado o hospital foi avaliado em R$ 7,1 milhões. Se não tiver comprador no leilão do dia 19, um segundo leilão deverá acontecer no dia 29 e o imóvel será entregue para quem fizer a maior oferta, desprezado o valor de avaliação e o preço vil. Ambos os leilões estão agendados para as 15 horas, no Fórum de Londrina.
O advogado do HE, Ronaldo Neves, diz não acreditar que o leilão aconteça, pois, segundo ele, o que está ocorrendo é um mal-entendido. Ele explica que de fato os equipamentos foram comprados e houve dificuldade para realizar o pagamento. No início do ano passado, o hospital optou por terceirizar os exames, e por uma disposição contratual, a Ultramed, clínica que passou a se responsabilizar pelos serviços, foi obrigada a comprar os equipamentos da Siemens.
Ronaldo Neves explica que, através de um acordo de cavalheiros, ficou combinado que diante desta exigência e da retirada do tomógrafo do hospital por parte da Siemens, a dívida estaria quitada. Tanto que a empresa enviou um técnico para desmontar o equipamento, que está encaixotado em um cômodo do hospital há aproximadamente um ano, à disposição da Siemens.
Na opinião do advogado, está ocorrendo uma falha de comunicação entre o departamento comercial da multinacional no Paraná e o seu departamento jurídico, instalado no Rio de Janeiro. Por isso estamos indo na próxima segunda-feira a Curitiba para tentar esclarecer tudo. No nosso entender, não existe mais nenhum débito, diz. Neves admite, porém, que não há documento por escrito sobre o acordo.
O possível leilão do prédio do Evangélico não é o único problema decorrente de dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição. No ano passado, o Cemitério Parque das Oliveiras, de propriedade da Sociedade Evangélica, também foi a leilão para quitar dívidas trabalhistas, mas não chegou a ser vendido pela ausência de compradores.


