Prédio do Ahú não será implodido
A lembrança do prédio que abriga a Prisão Provisória de Curitiba, conhecida como presídio do Ahú, em Curitiba, deve ser mantida. O governador Jaime Lerner garantiu que a edificação não será implodida. Lerner assinou ontem à tarde no auditório do Palácio Iguaçu o lançamento do edital de licitação para transferir à iniciativa privada o terreno de 70 mil metros quadrados onde a prisão está localizada. O espaço, avaliado em R$ 17 milhões, deve ser ocupado por condomínios residenciais, pontos comerciais e áreas de lazer num prazo máximo de três anos.
Em troca, os vencedores da concorrência pública que serão conhecidos em junho, terão de construir dois presídios em Piraquara, com capacidade para 1.300 detentos. Quem vencer a disputa terá prazo de dez meses a 30 meses para concluir os novos complexos penitenciários. Como 10% da Presídio do Ahú pertencem ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), o vencedor da licitação também ficará responsável pela construção de um prédio de mil metros quadrados próximo ao terminal do Cabral para atendimento dos segurados.
O governador Jaime Lerner confirmou que uma das cláusulas da licitação será a possibilidade de reciclagem do prédio da prisão que é de valor histórico para a cidade. O pavilhão principal da edificação foi inaugurado em 1903 e serviu para abrigar pacientes com problemas mentais do Hospício Nossa Senhora da Luz (leia texto nesta página).
O prédio do Ahú só viraria prisão seis anos depois quando o governo do Estado comprou o espaço da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, disse que a desativação do presídio era uma ambição perseguida há 10 anos. A transferência da prisão, segundo o secretário estadual de Justiça e Cidadania, José Tavares, vai solucionar vários problemas. O principal é a superpolução carcerária. Hoje o Ahú concentra 900 detentos. O complexo só tem capacidade para 400 presos.
Serão criadas 1.300 novas vagas no complexo penitenciário que será formado em Piraquara, disse Tavares. Um presídio provisório vai abrigar 500 presos e uma penitenciária terá 800 apenados. No projeto está previsto a construção de oficinas para que os presidiários tenham uma ocupação enquanto cumprirem suas sentenças. O secretário acredita que a capital paranaense vai lucrar com a transferência. A vantagem para Curitiba é que o local será utilizado para a construção de um complexo de lazer e de negócios, afirmou.





