Prédio de cinema poderá ser demolido
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sábado, 02 de maio de 1998
Alexandre Sanches 
Josoé de CarvalhoÁrea útilProjeto da prefeitura de Jaguapitã é transformar o espaço do cinema em centro cultural; Região tem poucas opções de lazer, diz o prefeito Na tentativa de preservar o prédio do antigo Cine Guairacá - fechado há cerca de 20 anos -, a Prefeitura de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina) solicitou à Secretaria de Estado da Cultura a liberação de recursos para a compra e reforma do imóvel. Os recursos são para negociar com o proprietário do prédio, o comerciante Jorge Luiz Campaner, que protocolou um pedido na prefeitura para demolir o cinema. Ele construirá no local um supermercado.
O prefeito Edison Rodrigues de Almeida (PDT) ainda não autorizou a demolição, mas fez um acordo verbal solicitando mais tempo ao comerciante, até que a secretaria de Estado se manifeste sobre a liberação de recursos. Não temos muito tempo. O prédio não tem valor histórico, e sim sentimental. Não existe impedimento legal para não autorizar a demolição, comentou.
A compra do prédio consta de uma emenda proposta por um deputado da região no orçamento do Estado. No entanto, Almeida alertou para o fato de que, por ser ano eleitoral, o governo só poderá assinar convênios até o final deste mês. Para sensibilizar a secretária de Estado da Cultura, Lúcia Camargo, a prefeitura gravou uma fita e fotografou o cinema.
O prefeito pretende construir no local um centro de eventos e lazer, aproveitando o terreno público em frente. Temos sonhos de fazer ali um local onde a população possa se divertir, pois a região tem poucas opções de lazer.
Sobre os contatos entre a prefeitura e o comerciante, o prefeito ressaltou que está procurando ser o mais amistoso possível, apesar do proprietário não aceitar o pedido da administração municipal. Jorge Luiz Campaner foi procurado pela Folha, mas ele não quis falar sobre o assunto.
Igrejas Os cinemas nas pequenas e médias cidades perderam espaço para outros tipos de empreendimentos. A maioria foi transformada em templos evangélicos. É o caso do Cine Plaza, de Campo Mourão, do Cine Rolândia, de Rolândia, e do Cine Avenida, de Cornélio Procópio, onde igrejas foram instaladas nos locais que já serviram como ponto de diversão e entretenimento.
Em Ivaiporã, o cinema foi desativado há mais de 15 anos e o prédio foi demolido. No local foi construída uma agência bancária. Nem o reforço do público vindo de cidades vizinhas impediu que o cinema de Jardim Alegre (8 km de Ivaiporã) também fechasse as portas, no final da década de 80. Hoje o prédio está desativado.
Mas há municípios que ainda lutam pela manutenção de seus mínimos espaços culturais. Há um ano a prefeitura de Porecatu reabriu o Cine Porecatu - desativado durante 12 anos -, transformado em Casa de Cultura. Exibindo filmes atuais, o cinema funciona de sexta-feira a domingo, com ingresos a preços populares.
O Cine Mauá, de Arapongas, também foi alugado pela prefeitura para transformação em Casa de Cultura. Além de projetar filmes, o prédio também seria usado para outros eventos culturais. A medida evitou que o prédio fosse destinado a outros empreendimentos.
O maior exemplo de criação de um Centro Cultural é o município de Ibiporã. O Cine-Teatro Padre José Zanelli, um dos mais luxuosos do Norte do Estado, divide espaço entre o teatro, cinema - filmes recentes e de grande apelo popular -, dança e outros eventos que necessitem de um amplo auditório. Ele é administrado pela prefeitura.


