Prédio com lixo tóxico pode ser demolido
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de agosto de 1998
Guilherme Vieira 
O governo do Estado ainda não sabe o que vai ser feito dos três barracões que armazenam as 1.200 toneladas de agrotóxicos em Tamarana (62 quilômetros ao Sul de Londrina) e não descarta a possibilidade de demolir e incinerar o local. Assim que os barracões estiverem desocupados vamos realizar uma série de laudos técnicos para detectar o nível de contaminação, para decidir o que vamos fazer, podendo até demolir e queimar tudo, disse ontem o diretor-superintendente da Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Nicolau Kluppel.
A assinatura do contrato entre o governo do Estado e a Bayer para limpar, retirar e incinerar o material aconteceu ontem, em Curitiba. Segundo Kluppel, o lixo tóxico que está armazenado na área da Colônia Penal Agrícola de Tamarana começa a ser retirado pela empresa Bayer S.A. na primeira quinzena de setembro. O responsável pela área de meio ambiente da Bayer S.A., o engenheiro químico Miguel Spohr, informou que para retirar todo o material vão ser necessários cerca de 60 contêineres.
Arquivo FolhaSpohr disse que o material vai ser enviado para Belford Roxo, no Rio de Janeiro, durante três meses para ser incinerado, e que todo o trajeto vai ser acompanhado por técnicos da empresa treinados, funcionários do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Suderhsa. A incineração dos agrotóxicos vai levar nove meses e não deve prejudicar o meio ambiente devido às modernas técnicas utilizadas pela empresa. O processo foi desenvolvido para não emitir gases, e a cinza, que é único material resultante da combustão dos produtos, vai ser depositada em um aterro sanitário classe um, desenvolvido para evitar a contaminação dos lençóis freáticos, disse.
Spohr informou que se encontram depositados em Tamarana principalmente o BHC, que foi recolhido pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento nos anos 70 e 80. O BHC é um produto fabricado à base de organofosforados, que se em contato com o meio ambiente pode causar contaminação. Dependendo da quantidade do produto, e ao tempo de exposição, a recuperação do local atingido pode levar até 45 anos para acontecer.
Pelo contrato assinado entre a Bayer e a Suderhsa, o transporte e incineração do lixo tóxico vão custar R$ 2,4 milhões. O governo do estado vai investir R$ 1,7 milhão (70%) e o sindicato Nacional das Indústrias de Agrotóxicos, R$ 700 mil (30%).


