Prédio abandonado serve de moradia
Por iniciativa de fazendeiros do Norte Velho, teve início, em 1924, a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Paraná, nome que eles mudaram para Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, assim transferida aos ingleses com o primeiro trecho concluído. A estação ferroviária, a segunda construída no lugar, está muito deteriorada. A primeira, ''era uma casinha de madeira'', conta a professora Maria Aparecida Pereira Bastos, conhecida como ''Nenê'', que ia de trem para lecionar na zona rural (1969-72) e hoje organiza o arquivo de história na Secretaria Municipal de Cultura.
Segundo Ana Maria e Regina Barbosa Ferraz, netas de Antônio Barbosa Ferraz Júnior, um dos empreendedores da ferrovia, a primeira ponte metálica sobre o Rio Paranapanema ''tinha a bitola do trem e a bitola do automóvel'', usadas alternadamente. ''Ficava uma pessoa no começo e outra no final da ponte, com uma bandeirinha vermelha, dando sinal para passar''. Se viesse trem, os motoristas esperavam. Os depoimentos estão no livro ''De Alambari a Cambará - Um Resgate Histórico'', escrito por professores e alunos do Colégio Nossa Senhora das Graças.
De família pioneira, Antônio Mair, o ''Totó'', recorda um desastre de trem da São Paulo-Paraná: ''cinco ou seis vagões puxados por maria-fumaça'', que descarrilou ao passar pela Fazenda Santa Maria, ferindo e matando passageiros. Teria sido na década de 30. O próprio Totó, que era pequeno, foi ver. ''Lá morreu muita gente, foi uma coisa terrível''.
João Pereira de Camargo reagiu ''quando os ingleses puxaram a estrada de ferro até Meirelles'' e entraram em sua fazenda: ''Foi uma guerra'', relatou o neto Sebastião Medeiros Hygino. O trem matava bois que entravam na linha, ''então o Príncipe de Gales foi até lá para ver o que estava acontecendo e apaziguar meu avô''. Sócio da ferrovia e da Companhia de Terras Norte do Paraná, o Príncipe visitou Cambará em 1931.
Os trens de carga continuam entre Londrina e Ourinhos, mas a estação de Cambará, sem passageiros e distante do centro, perdeu a finalidade. Entre 1963 e 68, a administração do prefeito Milton Paschoalino asfaltou o acesso. Patrimônio da RFFSA, a estação encontra-se abandonada, serve de moradia e tem até um ''puxado'', apesar das péssimas condições. ''Está muito ruim, não dá nem de arrumar. Vamos sair daqui'', afirma Sebastião Antônio dos Santos, de 65 anos, morador há dois anos, com a esposa e um cunhado, ex-ferroviário.(WS)





