Preços baixos e concorrência desleal
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Consequência da crise e do excesso de oferta, o preço do material reciclável despencou nos últimos meses. Os ganhos dos coletores das ONGs, que giravam em torno de R$ 400,00, agora não passam de R$ 100,00 por mês. E as adversidades não param de aumentar. Um problema é a falta de colaboração da comunidade. Muitos prédios, segundo os integrantes das ONGs, estão vendendo por conta o ''filé mignon'' do material reciclável e deixando os restos, que quase não têm valor comercial, para os coletores.
A estimativa da ONG Aracen é que metade dos cerca de 60 prédios residenciais da área de atuação ''desviem'' materiais como latinhas de alumínio.
A presidente da Central de Prensagem e Venda (Cepeve), Sandra Araújo Barroso Silva, acredita que é grande o número de porteiros e empregadas domésticas que trabalham nos condomínios do Centro e ficam com o material de maior valor de venda. ''Eles têm esse direito. Só que quando o condomínio aceita fazer parte do sistema de coleta seletiva, deveria respeitar o combinado e destinar todo o material reciclável. Se a coleta falha um dia eles reclamam. Exigem que a gente trabalhe no Natal. Então, deveriam respeitar o acordo'', reivindica.
Os recicladores da Zona Norte queixam-se também dos moradores que fazem a separação inadequada do lixo. É possível encontrar de tudo nos sacos que deveriam contar exclusivamente com material reciclável: de papel higiênico usado a restos de comida.
Outra situação, que o pessoal que trabalha de forma organizada garante que não é recente, é o furto de material por parte de coletores independentes. O sistema de coleta em Londrina inclui a atuação dos ''carrinheiros'', que recolhem o lixo nas casas, apartamentos e empresas e levam para as chamadas bandeiras - locais onde o material recolhido é reunido para ser levado pela Kombi do programa. E estes pontos viraram alvos preferenciais dos ladrões de material reciclável. Os recicladores comentam que até ameaças de agressão já foram registradas na tentativa das ONGs de proteger o que foi coletado.
''Reciclar é uma obrigação de todos. Só que trabalhar um mês inteiro para ganhar só R$ 100,00 é muito sofrido e doído'', lamenta a presidente da ONG Aracen, Rosângela Gusmão de Oliveira, cuja sede é no Jardim São Jorge (Zona Norte). O grupo dela é formado por sete recicladores; cinco já desistiram. Resultado da queda dos preços, que reduziu de R$ 0,25 o quilo do papelão para R$ 0,05.
De acordo com Rosângela, a diminuição dos preços tornou a permanência na atividade ''muito difícil.'' Com dificuldade para vender, os recicladores são obrigados a estocar os materiais nos barracões. Alguns não têm mais espaço para tanto lixo.
Os espaços, na maioria das vezes, são inadequados. Porém, não são baratos. A Aracen paga R$ 500,00 por mês de aluguel do barracão na Rua João Marques da Silva. A poucos metros dali, os esqueletos de três barracões que estavam sendo construídos pela Prefeitura deixam os trabalhadores ainda mais indignados. ''Fizeram a terraplenagem, colocaram essas colunas aí e ficou nisso'', comentou um dos recicladores.


