Na conquista do emprego ou no restaurante o racismo ainda existe, mas poucas pessoas admitem ser racistas ou ter passado por estas situações constrangedoras. O preconceito velado está no dia-a-dia dos negros, principalmente numa cidade onde a maioria da população é branca. No mês da Consciência Negra, quando se lembra a morte de Zumbi dos Palmares (dia 20), o racismo volta a ser debatido em Curitiba. Mas é tempo também de falar sobre aspectos históricos, culturais e religiosos dos afro-brasileiros, valorizando a participação negra na sociedade.
Airton Rocha, 44, borracheiro: ‘‘Nunca sofri preconceito, mas acho que ele existe por ignorância’’O censo do IBGE de 1996 diz que apenas 6% da população é negra. Segundo a coordenação do Ciclo de Estudos Afro-Brasileiros, que está acontecendo na Universidade Federal do Paraná, o censo não é fiel à realidade porque o pesquisador pergunta para o entrevistado apontar sua cor.
Curitiba foi uma cidade de negros, índios, portugueses e espanhóis no século 18. Começou ‘‘a ficar mais branca’’ por volta de 1820 e 1830. A imigração dos italianos, por exemplo, ocorreu há 120 anos.
Os negros influenciaram nas danças típicas do Paraná, como a congada e o fandango. A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá foi construída por um negro: engenheiro Rebouças.
Marina Canhadas, 17, estudante: ‘‘Não sou racista de jeito nenhum. Acho que os curitibanos são racistas, acham que o negro é pobre’’
O racismo institucional ainda é um problema enfrentado hoje pelos afro-brasileiros. O vigilante João Alberto, 38 anos, já teve dificuldade em conseguir emprego há quatro anos. Ninguém falou, mas ele acha que perdeu a vaga por ser negro. Hoje, ele está empregado.
João Alberto, 38, vigilante: ‘‘Acho que não consegui emprego há quatro anos por causa da cor. Existe discriminação no Brasil inteiro’’
O Ciclo de Estudos Afro-brasileiros começou ontem e terá discussões todas as segundas-feiras, até o dia 7 de dezembro. Segundo um dos palestrantes, Valmir Gomes, há preconceito até mesmo dentro do futebol - considerado um meio de ascenção para os afro-brasileiros. ‘‘Ninguém vê um negro como técnico ou presidente de clube’’, afirma.
Gomes diz que o futebol chegou ao Brasil como esporte da elite entre o século 19 e 20. O primeiro time a ter um jogador negro foi o Vasco da Gama, em 1910 e 1920. A partir daí, os negros começaram a atuar mais no futebol.
Nas Faculdades Integradas Espírita (Fies), também está havendo a 1ª Quinzena de Estudos Afro-brasileiros, que vai até o dia 30 de novembro.

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