Lábios carnudos, cabelos pixaim e pele negra. Eis uma das razões que fazem Lucélia dos Santos Brito descartar qualquer hipótese de morar na Hungria. O temor de Lucélia é que Elin sofra com preconceito racial, principalmente em escolas e locais em que o pai não poderá acompanhá-la. ‘‘É inadmissível que minha filha viva em um país estranho com pessoas estranhas’’, reclama.
Ela tem certeza que seria discriminada por causa de sua cor e teme pelo futuro da filha. Isso aumenta a convicção da curitibana de que a menina deve viver no Brasil e não no país escolhido pelo pai. ‘‘Sei como é lá fora’’, disse Lucélia, que morou nove ano na Suíça. ‘‘A prioridade é para o cidadão do país e, por último, para o cidadão estrangeiro’’, afirmou.
Lucélia argumenta que o ex-marido, István Magyar, sai de casa às 6 horas e volta somente às 18 horas, tendo assim pouco tempo para a menina. Além do preconceito, a adaptação de Elin ao frio da Hungria preocupa Lucélia. É por isso que ela espera rever a filha antes do próximo inverno. (J.A.)

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