A cada três dias, uma pessoa é assassinada no Brasil em função da orientação sexual. Violência que, para a professora Maria Rita de Assis César, do Departamento de Teoria e Prática de Ensino e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), reflete o preconceito com relação a questões de gênero, orientação sexual e identidade de gênero.
Uma das dificuldades apontadas pela professora é que o tema é discutido no Congresso Nacional em uma agenda religiosa. ''Essa é uma questão de educação, para ser discutida entre educadores, e que se transformou em moeda de troca entre governo e a parcela mais conservadora do Congresso. Outros materiais didáticos não passam pela aprovação de deputados e senadores, por que esse, especificamente, foi analisado? É a demonstração do preconceito. No Brasil, falta um Estado laico'', critica.
Além da violência, o preconceito gera também a redução de oportunidades oferecidas aos adolescentes e jovens da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Travestis e Transgêneros). ''Orientação sexual e identidade de gênero são importantes fatores de preconceito, violência e evasão escolar'', afirma.
Maria Rita lembra que os professores não estão preparados para eliminar o preconceito dentro da escola. ''Não há uma disciplina específica sobre o assunto nos cursos de formação de professores, apesar de existir, no Paraná, uma resolução do Conselho Estadual de Educação obrigando a oferta da disciplina.''
Outra necessidade apontada pela especialista é a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia. ''É necessário haver punição contra a homofobia para que essas opiniões deixem de influenciar a política brasileira.'' (C.A.)

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