Da Sucursal

Albari RosaFilaAlunos da Escola Estadual Elysio Viana, no Guabirotuba, se preparam para entrar em sala no começo da tardeEstá sobrando salas de aula na Escola Estadual Elysio Viana, localizada no bairro Guabirotuba, em Curitiba, onde o número de alunos diminuiu de 900 para 600 nos últimos anos. O principal motivo, segundo o assessor técnico da Secretaria Estadual da Educação, Laureni Teixeira, seria a discriminação feita por pais e alunos do bairro contra alguns dos frequentadores da escola.
A escola é vizinha da Associação dos Meninos de Curitiba (Assoma), órgão administrado pela Prefeitura de Curitiba, que atende menores carentes.
‘‘Os pais reclamam da situação e realmente estamos perdendo alunos por causa disto’’, disse a supervisora da escola, Dulce Teresinha Gribur Juliatto. Segundo ela, no ano passado, várias vezes ocorreram confrontos entre os alunos da escola e os meninos da Assoma nas saídas das aulas. ‘‘Eles batem e roubam nossos estudantes’’, informa ela.
O pior horário, segundo a direção, é o da tarde, por volta das 17h15, quando os alunos saem da escola. ‘‘O policiamento é inexistente nestes horários de saídas’’, confirma a secretária da escola, Dirlene Zanluca.
De acordo com a supervisora, durante as aulas, os meninos da Assoma que estudam na escola causam tumulto e confusão, e entram sempre em confronto com os demais alunos.
‘‘Eles não respeitam ninguém, não têm medo de nada, são agressivos, chegam sempre atrasados e não têm limites’’, declara Dulce. ‘‘Eles se sentem injustiçados pela sociedade e se vingam através da nossa escola’’, tenta justificar ela.
Na opinião do assessor técnico da secretaria, existe uma discriminação da própria comunidade em relação aos meninos da Assoma. ‘‘As salas ociosas mostram esta situação’’, disse Teixeira. Segundo ele, não existe nenhum projeto da secretaria para solucionar a questão tanto da discriminação aos meninos quanto para a solução do problema gerado pela ociosidade de vagas.
A Assoma foi inaugurada há dez anos e conta com 306 meninos e meninas carentes, com idades entre sete e 17 anos. Deste total, 22 estudam na Escola Elysio Viana, 160 têm aulas na própria Assoma e os outros estudam em outras escolas estaduais da cidade.
Em virtude da ociosidade das instalações físicas da escola, duas salas de aulas já foram cedidas para que a Assoma possa usá-las. Estes locais estão sendo utilizados para que 40 meninos tenham aulas diárias, com professores próprios da Assoma.

mockup