Preconceito é resultado da falta de informação
Há seis anos como aluno da Escola de Educação Especial Recanto da Alegria, Alexandre passa de segunda a sexta, das 7 às 16 horas, realizando atividades voltadas para a educação profissional, como a produção de artesanato e a manutenção de jardins. A escola atende 109 alunos com deficiência mental e abrange também a educação infantil e o ensino fundamental, contando com o trabalho de profissionais das áreas de fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, neurologia, professores da área pedagógica e assistentes sociais, que atendem as famílias dos alunos.
De acordo com a diretora da escola, o aluno da educação profissional pode permanecer nas atividades por tempo indeterminado, pois, segundo ela, não existe mercado de trabalho para pessoas com deficiência em Santa Mariana.
''Trabalho há 26 anos com educação especial. O problema maior está no preconceito, que começa justamente na família. Se uma adolescente de 16 anos com deficiência é proibida de sair com as amigas e tem uma irmã de 15 que pode, ela não vai entender o porquê da diferença de tratamento. Nosso trabalho é provar que a pessoa com deficiência é capaz e que é igual a todo mundo, tem as mesmas necessidades e sonhos'', diz.
Para a pedagoga responsável pela Educação Profissional do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Siana do Carmo de Oliveira, o projeto com um aluno que apresenta deficiência mental atuando em um programa de rádio ao vivo é inédito no Paraná. ''Ainda existe muito preconceito por parte da sociedade e do empresariado, isso vem da falta de informação. À medida em que se dá oportunidades para as pessoas com deficiência, isso muda e o Alexandre é prova disso'', diz.
Segundo Siana, há 20 anos, quando começou a trabalhar na área, não era dada a oportunidade de preparar as pessoas com deficiência para o mercado. Não havia também a possibilidade de incluir alunos especiais entre as crianças no ensino regular.
Ainda de acordo com a pedagoga, a alavanca para a mudança se deu com a lei nº 8.213/91 ou Lei de Cotas, que estabelece que todas as empresas privadas com 100 ou mais empregados têm de reservar vagas para pessoas com deficiência. Já as empresas públicas devem reservar 5% das vagas em todo concurso realizado, em igualdade de condições com os demais candidatos. ''Hoje, tenho ouvido de empresários do Paraná todo que incluir pessoas portadoras de deficiência em seus quadros tem gerado economia às empresas, pois isso muda o clima organizacional e serve de motivação para os outros funcionários'', conta. Siana foi a primeira entrevistada do programa Destaque, com participação feita por telefone. (E.S.)





