Paulo WolfgangRejeiçãoO padre Antonio Garcia Peres: ‘No fundo, o migrante é visto como ameaça ao emprego do londrinense’A Pastoral dos Migrantes funciona em Londrina há oito anos. No Norte e Noroeste do Paraná, está presente em 47 cidades, com 72 núcleos atuantes. O padre Antonio Garcia Peres diz que hoje o principal desafio da Pastoral é fazer a sociedade refletir sobre o problema, para formar uma consciência solidária.
Além disso, informa o padre Garcia, a Pastoral também procura identificar os locais para onde vão os migrantes para dar informação e assistência. Para isso, promove desde visitas informais até encontros, onde é distribuído material informativo. Em alguns casos, é assegurada ajuda com cestas básicas.
Até agora, no entanto, o caminho da conscientização tem sido árduo. ‘‘O migrante é um sinal de que a sociedade não está funcionando adequadamente, que está mal. E isso muitas vezes ninguém quer ver’’, explica. O resultado mais visível desse processo, diz, é o preconceito. Ou seja: o migrante acaba sendo visto como o andarilho, o vagabundo, e não como consequência da injustiça social.
Além do preconceito, aponta padre Garcia, existe também o fator econônico. ‘‘No fundo, o migrante é hoje visto também como uma ameaça ao emprego do londrinense, como aquele que vai disputar uma vaga. E isso acaba deixando mais difícil o trabalho de quebra do preconceito. O migrante hoje é o indesejado’’, diz.
Na opinião do padre Garcia, a Cidade tem criado ‘‘muralhas sociais’’, para evitar a aproximação do migrante, o que tem dificultado cada vez mais o trabalho da Pastoral. ‘‘Tentamos fazer com que o migrante não se sinta tão isolado na Cidade. Isso é importante para que ele tenha mais segurança para se promover socialmente’’, explica. ‘‘É uma reação em cadeia. O que o migrante não quer é ser visto como problema.’

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