Preconceito é o maior inimigo do doente
Maigue Gueths
De Curitiba
Portadores do vírus da Aids vivem um momento contraditório na história da doença. Assim como o tempo e a qualidade de sobrevida dos portadores do HIV aumentaram consideravelmente nos últimos anos, em função da descoberta de novos medicamentos e terapias, o preconceito da sociedade continua muito grande. Esta não aceitação impede que os doentes tenham uma vida normal, leva muitos à depressão e, o que é pior, até ao abandono do tratamento por total desânimo frente à vida.
Ainda não dá para falar que as pessoas não morrem mais de Aids, diz Clarice Callo, presidente do Grupo pela Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids (Vidda), ressaltando que o maior problema é a falta de adesão ao tratamento pelos doentes. Entre os frequentadores do Grupo pela Vidda, ela calcula que 50% não tomem os medicamentos adequadamente. Eles tomam o remédio uma semana, páram, tomam de novo, não têm continuidade. O abandono do tratamento não acontece por falta de acesso aos medicamentos. Os medicamentos para Aids, com custo mensal de R$ 1.420,00 por paciente, são distribuídos gratuitamente pelo governo através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Isto mostra que muitos portadores não estão interessados em fazer o tratamento, que eles estão desanimados frente o preconceito, a discriminação, diz. Para Clarice, é contraditório constatar que, aproximadamente 15 anos depois dos primeiros casos de Aids serem noticiados, a medicina tenha evoluído tanto em seu tratamento e o comportamento das pessoas tenha estagnado, persistindo o mesmo preconceito e falta de conhecimento de antes. Quando contam que estão infectados, segundo ela, a maioria perde o emprego, os amigos se afastam, a família não apóia, além de não conseguirem manter uma relação afetiva.
Toni Reis, do Grupo Dignidade, acha que a situação já melhorou bastante, mas ainda há dificuldades, principalmente no campo do trabalho. O portador perde o emprego e não consegue outro, diz, ressaltando que as pessoas têm que ser conscientizadas de que a Aids tem tratamento, apesar de não ter cura.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que de 1984 até este ano, foram registrados 6.574 pessoas doentes com Aids no Estado. As três cidades com maior incidência são Curitiba, com 3.664 casos, Londrina com 808 e Maringá com 358. Estes números referem-se apenas às pessoas que desenvolveram a doença, não estando computados os portadores do vírus HIV que ainda não tiveram sintomas. Segundo Clarice o número de portadores no Estado é de aproximadamente 140 mil.
O avanço da Aids sobre as mulheres é outro indicativo de que a doença está se espalhando. Em 1986, para cada 16 homens doentes havia apenas uma mulher; hoje a proporção é de dois para um.A descoberta de novos medicamentos aumentou a sobrevida dos portadores do HIV, mas a intolerância da sociedade não mudou
José SuassunaDesânimoClarice Callo, presidente do Grupo pela Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids (Vidda), diz que um dos grandes problemas é a falta de adesão ao tratamento pelos doentes. Entre os frequentadores do Grupo pela Vidda, ela calcula que 50% não tomem os medicamentos adequadamente





