Preconceito confunde disforia
de gênero com transvestismo
Disforia de gênero é o nome clínico do transexualismo, e assim os médicos recomendam que as pessoas se refiram ao distúrbio. A palavra transexualismo é carregada de preconceito e normalmente a população associa o termo ao transvestismo, situação em que alguém usa roupas e se comporta como sendo do sexo oposto ao seu. A diferença é que, no segundo caso, não há a profunda necessidade de mudar a conformação de seus órgãos genitais. Pelo contrário, muitos travestis sentem-se confortáveis com seu sexo fisiológico e dele fazem uso em algumas relações.
Para identificar perfeitamente quem pode passar pela cirurgia de redesignação sexual (a expressão mudança de sexo também é desaconselhada) é que a sexóloga Regina Teixeira coordena uma série de testes médicos, genéticos e psicológicos com os pacientes que a procuram. Ela é diretora e uma das criadoras, há dez anos, da Clínica de Sexologia da Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba. ‘‘O mais importante é a identidade sexual oposta ao sexo fisiológico. Travestis e homossexuais masculinos, por exemplo, sabem que são homens e sentem-se homens, apesar de muitas vezes sentirem prazer em se portar como mulheres. Estes não procuram a cirurgia’’, diz Regina.
No caso de todos os pacientes selecionados pela sexóloga, desde a primeira infância havia uma forte tendência a se sentirem meninas, no caso de garotos, ou meninos, no caso oposto. O assunto é intrigante, mas a ciência ainda não tem um parecer definitivo sobre o que ocorre com os pacientes. ‘‘Sabemos o que acontece, mas, porque acontece, ainda não se pode afirmar categoricamente’’, garante Regina.
Dependendo da formação do profissional envolvido nos estudos, há uma preferência pela teoria fisiológica ou pela psicológica. Estudos fisiológicos recentes sustentam que o hipotálamo de transexuais masculinos é diferente do de outros homens. Hipotálamo é a glândula situada no cérebro, que comanda a produção de diversos hormônios, entre eles os relacionados à sexualidade. Nos transexuais masculinos, notou-se que tais glândulas possuem estrias que só haviam sido observadas antes em cérebros de mulheres.

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