Preço da ração é problema
No Jardim Nova Conquista (Zona Sul) é possível ver carroças estacionadas em frente de várias casas. Um dos carroceiros mais conhecidos por ali é Alfredo Macedo, de 65 anos, que na tarde da última terça-feira tinha uma grande preocupação: como iria alimentar seus dois cavalos nos próximos dias. Ele é um dos poucos que sabem da importância de dar ração para os animais e que têm o trabalho de sair à procura de capim. ''Eu sei que a ração é melhor para eles do que só o milho. Mas cada um come um saco por semana, que custa R$ 20,00. Agora estou sem (ração) e não sei como vou comprar.''
Como tem dois cavalos, Macedo consegue revezá-los e fazer com que cada um trabalhe no máximo quatro horas por dia. ''Carrego de tudo. Mudança, lenha, entulhos, galhos'', revela. Para conseguir capim, ele conta que percorre grandes distâncias. ''Vou em tudo quanto é lugar para buscar.'' O carroceiro também não deixa seus animais soltos. Eles ficam em uma cocheira próxima à casa da família.
Já Deosdete Felix Coutinho, 27 anos e carroceiro desde a adolescência, informa que dá vitaminas e vacina contra tétano para seus dois cavalos. A alimentação, porém, resume-se ao mato encontrado no fundo de vale onde o bairro se situa e a um pouco de milho, quando os bichos trabalham muito. ''Costumo sair de manhã e voltar no começo da tarde, revezando os dois cavalos'', diz Coutinho.
A alimentação encontrada no fundo de vale, e de vez em quando um pouco de milho, também é a única fonte de nutrição do cavalo de Wilson Paulo de Moraes, de 39 anos, morador do Jardim Califórnia (Zona Leste). Ele trabalha na função há cerca de 20 anos, carregando ''de tudo'' e fazendo serviços de jardinagem em várias regiões da cidade. Ele conta que é difícil conseguir recursos para complementar as refeições do animal. ''Se gastar dinheiro com milho, falta para a comida da família.''
Recentemente seu cavalo sofreu um corte, que infeccionou. Levado ao Hospital Veterinário da UEL, a indicação, segundo Moraes, foi sacrificá-lo. ''Mas eu não deixei, não posso ficar sem ele.'' O carroceiro conta que levou o animal de volta e passou a tratá-lo sozinho. ''Agora eu trabalho com ele um dia, dois no máximo, e deixo descansar outros dois.'' Nos dias em que o cavalo descansa Moraes recolhe papel e material reciclável, usando sua própria força para puxar o carrinho. (S.L.)





