'Precisamos ouvir e cuidar de quem está ao nosso lado'
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terça-feira, 11 de setembro de 2018
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 
Londrina registrou entre o início de 2018 e a primeira quinzena de agosto 139 tentativas de suicídio. Das 2.164 mortes na cidade no primeiro semestre deste ano, 13 foram por pessoas que tiraram a própria vida. Os números do Ministério da Saúde, via Sistema de Informações sobre Mortalidade, mostram a necessidade de debater o tema, incentivar aqueles que sofrem a procurar ajuda e fazer com que os demais atentem a importância de valorizar o próximo.
O "Setembro Amarelo", que faz parte do calendário oficial de Londrina há dois anos, vem ao encontro destas questões, como forma de prevenir o suicídio. A abertura oficial da campanha aconteceu na tarde de terça-feira (11) , na Câmara Municipal, e reuniu vereadores, representantes da saúde, educação, do CVV (Centro de Valorização da Vida) e da Pastoral da Universidade da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica) campus Londrina. Durante todo o mês, uma série de atividades será realizada para conscientizar sobre o assunto.
"Ninguém quer morrer. A pessoa à beira de um prédio para pular, por exemplo, tem que estar com um sofrimento muito grande para tomar a decisão. Ninguém está querendo chamar atenção, mas pedir ajuda. Temos que debater para desmitificar essa questão e não deixar que seja banalizada", destacou Claudia Denise Garcia, diretora de Serviço Complementar em Saúde, da secretaria municipal de Saúde.
Enfermeira psiquiátrica por formação, a profissional aponta que existem alguns fatores que predispõem ao pensamento de suicídio. Na maioria das vezes está relacionada ao bullying, tristeza profunda, álcool e drogas. "Temos pessoas que são portadoras de transtornos, em função de uma depressão ou outros quadros; existem questões de família, com conflitos colocando as pessoas em condição de risco. Tem a questão das perdas que pode ter e não saber lidar", elencou.

AJUDA
Nos últimos sete anos, 249 pessoas tiraram a própria vida em Londrina. Garcia adverte que pessoas próximas podem ajudar ao notar a dor e angústia do outro. "Precisamos ouvir e cuidar de quem está ao nosso lado", salientou. "Deixar de fazer aquilo que gosta é um dos indícios de tristeza e é importante buscar ajuda", orientou. No Paraná foram registrados 4.561 óbitos por lesão autoprovocada entre 2010 e 2016.
Algumas formas de combater a tristeza e, consequentemente evitar a depressão e outras situações que possam levar ao suicídio, são a valorização de vínculos afetivos, desenvolver a autoestima e resiliência, e aprender a superar e com as frustrações. Na rede pública de saúde estão disponíveis atendimento especializado no Caps-AD (dependência de álcool e drogas), Caps-i (atendimento infantil) e Caps 3 (livre demanda), onde também funciona o pronto atendimento 24 horas. Além disso, as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) estão aptas a receber este público.
VOLUNTÁRIOS
Com 27 voluntários, o CVV (Centro de Valorização da Vida) busca combater o suicídio com a conversa e empatia para reconstruir a pessoa emocionalmente numa ligação. "Dependendo da conotação emocional que a pessoa transmite para o voluntário, ele vai agir empaticamente. Muitas vezes a pessoa liga e tem vergonha de falar. O voluntário é preparado para a pessoa 'abrir o coração', pois é o momento dela. O trabalho é 90% de ouvir e 10% de falar", explicou Aparecido Carlos Beltrami, coordenador da CVV em Londrina.
As ligações para a entidade podem ser feitas pelo número 188. Em todo o Brasil são cerca de 90 postos existentes, que recebem por dia oito mil chamadas. "Cada ligação é uma nova situação. A solução dos problemas está na pessoa. Quem nos liga está sozinho, por mais familiares e amigos que estejam a sua volta", considerou Beltrami. No mundo, o suicídio acomete mais de 800 mil pessoas segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).


