PRECARIEDADE - Portais da Mata dos Godoy serão removidos
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Vitor Struck<br>Especial para a Folha 

Foi no último dia 13 de fevereiro que, novamente, um dos portais de madeira e concreto, próximo ao Parque Estadual Mata dos Godoy (zona sul de Londrina), ficou marcado pelos pichadores. Acompanhada da data, a afirmação "a vida é bela" pode não ter relação com um dos maiores clássicos do cinema italiano. Só o que é possível ter certeza é que os amigos "Sabrina, Mateus e Rui" passaram pela PR-538 e deixaram suas assinaturas. Logo ao lado, "Bakunin vive!" glorifica o teórico russo, figura importante da tradição anarquista que morreu na Suíça no século 19. Códigos, símbolos, caricaturas e rabiscos não faltam e deixam os portais, construídos com toras de eucalipto em 1995, com uma aparência nada agradável pra quem olha de perto.
Mas o aspecto visual não é o problema mais preocupante no momento. Um leitor da FOLHA entrou em contato para manifestar a preocupação com uma provável queda de um dos portais, localizado na rodovia Álvaro Lázaro de Godoy, a cerca de 20 quilômetros do centro. O portal que está mais distante de Londrina encontra-se parcialmente destelhado e assusta ver as vigas de madeira rachadas e tortas. Algumas estão completamente destruídas, ligando nada a lugar nenhum, o que aumenta o risco de desabamento.
Ao lado do portal, logo na entrada de uma propriedade rural, o operador de máquinas presencia a situação menos duas vezes por semana. "Não estava tão ruim, mas depois daquela chuva de janeiro ficou assim", lembrou.
Além disso, em alguns pontos o mato tomou conta e faz aumentar a sensação de abandono. Quem trafega por cerca de dois quilômetros sentido Patrimônio Regina, próximo da entrada da Mata dos Godoy, vê o primeiro portal em uma situação não tão grave quando o segundo, mas com rachaduras em três das quatro bases de concreto.
Segundo a gerente do parque estadual, Leliana Casagrande, a preocupação com a depredação dos portais existe desde 2015, quando um laudo da Paraná Edificações já solicitava o desmonte. Desde que foram construídos, em 1995, os portais foram reformados três vezes e, além da ação humana, os cupins estão enfraquecendo a madeira rapidamente.
Casagrande informou que há cerca de quatro meses o conselho consultivo do parque pediu uma vistoria ao Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina), mas, por conta do risco, "é preciso uma ação mais urgente". Ela informou que nesta semana iria para Curitiba, na sede do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), entregar um pedido de abertura de processo licitatório para a destruição dos portais. Estima-se que o custo da remoção seja de R$ 20 mil e ainda não há um cronograma para a execução.
A gerente classifica como urgente a remoção dos portais por conta das fortes chuvas e vendavais registrados recentemente em Londrina. A mesma opinião tem o ambientalista Gustavo Góes, um dos membros do Conselho Municipal do Meio Ambiente e que ocupa uma cadeira no conselho do parque. Ele, porém, defende também a reconstrução. "Os portais são patrimônio do parque, já fazem parte do imaginário dos moradores de Londrina, são um símbolo muito importante" disse.
De acordo com o ambientalista, em janeiro de 2017 houve uma derrubada de cerca de dez árvores no parque. "Até sugerimos em reunião da possibilidade de se fazer uma troca com alguma madeireira para uma possível reconstrução dos portais, possivelmente aproveitando, ainda, a estrutura de concreto."
SEGURANÇA
No parque, o totem informativo com a história da Mata dos Godoy parece nem ter sido concluído, ou, também, já foi depredado como muitos dos outros 65 instalados em pontos turísticos da zona urbana de Londrina em 2015. Esta segunda opção é a verdadeira, segundo a gerente. Ela lembra, também, que vândalos já roubaram a placa de inauguração e a que informava se o parque estava aberto ou fechado.
A ação de caçadores também é preocupante, já que nos 690 hectares do parque vivem pelo menos 187 espécies de aves silvestres e 65 de mamíferos. "O nosso problema maior são os caçadores. Entre o Natal e Ano Novo eu retirei 22 cápsulas de balas que estavam no chão. Uma pessoa foi lá e descarregou a arma numa placa."


