Albari RosaPrecoceAbib faz o exame em uma menina de 2 anos para detectar ambliopia: ambiente escolar facilita testeUma pesquisa feita no curso de pós-graduação em Oftalmologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) constatou que 80% das pré-escolas de Curitiba não fazem exames de acuidade visual nas crianças. O professor e oftalmologista Fernando Abib alerta que esta situação precisa mudar porque o diagnóstico precoce, feito em crianças entre 2 e 6 anos, pode permitir evitar problemas de visão e até a cegueira.
Os exames são simples e poderiam ser feitos pelos profissionais das escolas. O problema mais comum entre as crianças, facilmente detectado, é a ambliopia (deficiência visual em apenas um dos olhos), que pode prejudicar o desenvolvimento do sistema nervoso central. Com brincadeiras tipo ‘cabra-cega’, as professoras podem notar facilmente a diferença na capacidade visual dos olhos.
‘‘Tapa-se um dos olhos da criança e brinca-se de reconhecer as imagens de bichinhos projetadas na parede. Quando a criança não enxerga bem com um dos olhos, tende a desviar a cabeça para olhar ou fica irritada’’, explica Abib. Ele diz ainda que é importante fazer o teste com a professora na escolinha, porque é um ambiente em que a criança está habituada e relaxada.
Das 360 pré-escolas de Curitiba registradas pela Secretaria Estadual da Educaçã, 216 foram contactadas e 179 aceitaram responder ao questionário da PUC. Em 80% das pré-escolas que aceitaram participar da avaliação não havia triagem visual e, desse total (143 instituições), apenas 33% encaminhavam a criança para uma avaliação especializada se houvesse queixa.
Para Abib, que também leciona na Universidade Federal do Paraná, o resultado da pesquisa mostra o desconhecimento da importância do assunto por pais e pré-escolas. O grupo autor da pesquisa, composto ainda pelo médico Francisco Grupenmacher e pelos pós-graduandos Walter Bogo, Sylvia Stec e João Guilherme Moraes, sugere a criação de programas preventivos nas pré-escolas, para que a triagem seja feita rotineiramente.
‘‘Todos os programas de triagem visual existentes atualmente são realizados em idade escolar, quando só é possível administrar os problemas visuais’’, diz Abib. Segundo ele, é importante fazer a triagem antes dos sete anos de idade, enquanto ainda é possível reverter as deficiências. O oftalmologista explica que assim é possível até evitar a cegueira. A deficiência visual em um dos olhos pode prejudicar o futuro das crianças como, por exemplo, na hora de tirar carteira de motorista.

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