Londrina

César AugustoSem alternativaArenildo Lopes, desempregado: ‘Não temos escolha. Não tínhamos mais como pagar o aluguel’Até ontem à tarde, a Companhia de Habitação (Cohab ) de Londrina, ainda não tinha começado as obras para preparar os lotes destinados ao assentamento das 112 famílias acampadas nos fundos do Conjunto José Giordano (zona norte). Há cerca de 20 dias, a Cohab destinou uma área no Jardim Olímpico (zona oeste) e, em um acordo com as famílias, havia definido um prazo de 15 dias para a transferência das famílias para o novo loteamento.
‘‘Nós estamos aqui tranquilos. O interesse em tirar a gente daqui é da Cohab. Mas nós só vamos sair se for para um lugar adequado’’, avisa a diarista Dirciléia Leonel, da comissão formada pelas famílias. Ela conta que a comissão esteve conversando com o presidente da Cohab, Wilson Mandelli, na sexta-feira, cobrando agilidade nas obras e avisando que muitas famílias já tinham voltado atrás e não querem mais ir para o Olímpico. ‘‘Eles foram conhecer o lugar. Acharam muito longe, sem escola ou creche por perto e desistiram’’, afirma. Hoje, diz, apenas 50% das famílias continuam concordando em se mudar.
O guarda José Siqueira da Silva, 57 anos, está entre os que não pretende sair da área que ocupou nos fundos do conjunto José Giordano. ‘‘Quem chega a este ponto de ocupar um lugar sem nada, não tem mais o que perder. Daqui eu só saio para um lugar melhor. Para o Olímpico eu não vou, nem que a polícia me tire daqui’’, garante. Silva morava com a família em uma casa de fundo, no conjunto Chefe Newton.
Dirciléia Leonel informou que hoje a comissão vai visitar novamente a área no Olímpico. ‘‘A Cohab tinha prometido que começaria a limpar o terreno hoje (ontem). Hoje a gente vai lá para ver melhor o terreno e avaliar o que vamos fazer’’, diz. O presidente da Cohab, Wilson Mandelli, foi procurado pela Folha, para esclarecer sobre a demora no início das obras do loteamento no Olímpico, mas estava em reunião e não retornou a ligação até o final desta edição.
A Federação das Favelas e Assentamentos também defende que a transferência das famílias só aconteça quando a área estiver dotada do mínimo de infra-estrutura. O presidente da Federação, José Ricardo da Silva, explicou que a entidade também está acompanhando o processo de transferência destas famílias. Mas lembra que grande parte das melhorias só será conseguida a médio e longo prazos, depois que as famílias estiverem no loteamento.
Ele frisa que a maioria das invasões que vêm ocorrendo na Cidade, partem de ‘‘especuladores’’ - pessoas que fazem das invasões um meio de vida. ‘‘Mesmo sabendo que a invasão nunca vai poder ser regularizada, eles organizam o movimento, iludindo as famílias. Ocupam a área e vendem os lotes. Quando começa a fiscalização eles desaparecem e deixam as famílias desamparadas’’, afirma. Ele cita como exemplos as invasões do Jardim Paineiras e Pinheiros (zona oeste); do jardim Santa Fé e do Olímpico (zona oeste).
A Federação pretende agora pedir o apoio do Ministério Público na luta contra os especuladores. ‘‘Hoje, esta é uma das únicas alternativas que temos para tentar impedir que as famílias continuem a ser enganadas’’, diz José Ricardo.

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