Prazo para desocupação de área é prorrogado
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quinta-feira, 04 de junho de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As 47 famílias que ocupam as calçadas da Rua João Dembinski, no bairro Fazendinha, em Curitiba, terão mais 45 dias para buscar uma solução para o problema de moradia. O juiz Douglas Marcel Peres, da 4ª Vara da Fazenda Pública, estendeu o prazo para que a Secretaria de Estado da Segurança Pública faça a desocupação, que estava agendada, inicialmente, para hoje.
Ontem, cinco representantes da associação organizada pelos moradores da área participaram de uma reunião com a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seção Paraná (OAB-PR). Segundo o presidente do órgão, Alberto de Paula Machado, a entidade se comprometeu em intermediar a situação para evitar que haja conflito em uma possível ação de despejo.
"Esse tipo de desocupação, historicamente, induz o uso de força física, de agressões por ambas as partes. Não é raro haver vítimas, inclusive crianças. Por isso convocamos essa reunião. Não queremos atribuir razão a ninguém. Mas a desocupação é uma questão de tempo", explica Machado.
Os moradores da ocupação se comprometeram, no prazo de 30 a 60 dias, em deixar pacificamente as calçadas. Eles cogitam a possibilidade de alugar uma casa na Região Metropolitana de Curitiba, onde os valores de aluguel são inferiores aos da Capital. "Nós vamos para qualquer lugar, desde que haja moradia digna. Queremos um tempo a mais para procurar uma casa e poder transferir as crianças que estão terminando o semestre escolar agora", defende a moradora Irene da Rosa Barbosa.
Segundo eles, as 47 famílias restantes -de cerca de 3 mil que invadiram, em setembro passado, o terreno na mesma rua- não têm para onde ir. Caso seja realizada a desocupação antes que eles encontrem a solução, garantem que continuam na rua. "Vamos apenas pular para a calçada da frente", avisa Adelia Marques.
A OAB convidou, também, o procurador geral do município, Ivan Bonilha, que, por motivo de viagem, não pôde comparecer. A Prefeitura de Curitiba informou, através de sua assessoria de imprensa, que está disposta a dialogar com a OAB, mas é preciso conciliar as agendas.
Os moradores se reuniram também, anteontem, com o presidente da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), Munir Schaowiche. Na ocasião, eles foram informados que não haveria possibilidade de atendimento imediato das famílias e o órgão reiterou a proposta de oferecer vaga em albergues e custear o retorno de quem fosse de fora de Curitiba.


